04/06/2008

Le charme discret de la bourgeoisie

(falta aqui a foto)
Fomos ao Planetário no sábado com o Bias e o Biscoito.
Há qualquer coisa de tremendamente burguês em celebrar datas importantes na véspera. Como a Consoada ou o Santo António. Ainda bem que fomos no sábado, senão domingo tínhamos decerto tropeçado na selecção nacional e não haveríamos de ter conseguido mesa para lanchar.
Há também qualquer coisa de tremendamente burguês em comer ao balcão, nos snack-bares tão seventies que teimam em manter a ementa cavalar e doze omeletes diferentes só na lista dos pratos ligeiros, porque na lista dos pratos fortes há outras tantas.
Há qualquer coisa de tremendamente burguês em jantar depois das dez da noite, mesmo que os preços sejam inflaccionados, em beber uma cerveja sem àlcool gelada e descobrir que a minha barriga de muito grávida cabe à justa no espaço entre o banco giratório e o balcão.
Há qualquer coisa de tremendamente burguês em aproveitar o facto de o Biscoito estar a dormir em casa dos avós para passearmos de mão dada pelas avenidas novas até quase à meia noite e depois dormir até mais tarde.
Tenho saudades do tempo em que era só eu. Mas só de vez em quando.

23/05/2008

Conversas do quotidiano

rfk diz:
está tudo bem disposto por essas bandas?
Fi diz:
o teu filho está a ter uma overdose de desenhos animados
Fi diz:
acho que já não estou capaz de ficar sozinha com ele sem recorrer aos desenhos animados...
rfk diz:
em casa é complicado porque ele não quer fazer nada
rfk diz:
e se quer requer que vás para o chão
Fi diz:
pois não
Fi diz:
não quer saír, não quer fazer desenhos, não quer ler histórias, só quer desenhos animados
rfk diz:
depois fica com um ar vegetal como ficou quinta de manhã
Fi diz:
e eu, sempre meio-dormente do cérebro como estou, faço-lhe a vontade porque quero é ir estender-me na cama e que o mundo me deixe em paz
rfk diz:
já te vou salvar
rfk diz:
45 min e estou em casa
rfk diz:
até já beijocas
Fi diz:
okis

20/05/2008

Sopa de Peixe

(olha aqui a foto que falta)

Há coisas assim. De repente, dou de caras com um qualquer prato que me dá a volta às papilas gustativas.
Como a mousse de chocolate do restaurante na rua por trás da Unicef aqui em Lisboa, ou o bitoque do lombo de Alcabideche, ou as migas de espargos do restaurante no terminal rodoviário de Arraiolos, ou as sardinhas de fim de agosto do restaurante junto ao castelo de Sines, ou a sopa de peixe no mercado de Portimão.
Sou capaz de esperar um ano inteiro pela oportunidade de sentir novamente esses sabores saltitarem-me no palato sem nunca o provar noutro lado (excepto o bitoque, ou não fosse eu alfacinha de gema) - porque em tal sítio é que é bom.
Pois aconteceu. Era inevitável, de tão prendada cozinheira me tenho tornado. A verdade é que apesar de o peixe não ser o mesmo, o sabor é absolutamente inesquecível, e fi-la eu na minha cozinha.
Então é assim: tome-se a maior panela que houver na cozinha e faça-se um refogado decente com azeite, louro, cebola, alho e pimentos, tudo miúdinho; despeje-se polpa de tomate e caldo de marisco simples; junte-se três ou quatro vezes a medida do caldo de marisco em caldo rico de peixe e mais as massinhas-cotovelo; depois meta-se o peixe quase no fim da cozedura, com os temperos rectificados, juntem-se os camarões, os mexilhões e os coentros.
Bom apetite!

13/05/2008

Ai

Juro que o miúdo vai nascer a qualquer momento, de tanta cabeçada que dá lá em baixo.

08/05/2008

Quase-Mãe-Outra-Vez

E ainda me sinto tão filha...
Por isso ando sempre com o telemóvel junto a mim para ligar à minha mãe
-não vá ter alguma contracção mais regular;
- não vá perder o rolhão mucoso algures por aí;
- não vá desatar a escorrer-me àgua pelas pernas;
porque a minha mãe está sempre disponível para me ir levar-buscar-trazer ao hospital e levar-trazer-buscar o Biscoito à escola e a casa dela e à minha e porque é a única que sabe perfeitamente quais são as roupinhas para o Outro Biscoito vestir mal acabe de nascer, sem nunca sequer ter visto o que é que eu pus na mala da maternidade.
Não é maldade, mas a minha cara-metade nem sempre me pode atender o telefone e nem sempre vai de carro para o emprego.
A minha mãe é simplesmente mais rápida.