16/03/2012

Nuvem cinzenta

É como se fosse uma nuvem perpetuamente pairando sobre a minha cabeça, envolvendo-me o cérebro de um frio de gelar ossos. Uma nuvem cinzenta que vai escurecendo a partir das agressões que a pele deixa que entrem pelos poros. Uma indelicadeza aqui, um insulto ali, uma cara menos sorridente. Meses de sono em atraso, o meu corpo disforme, a ansiedade do regresso ao trabalho, as dores de cabeça e a loucura das sete da tarde elevada a três. Os banhos, os jantares, as birras, os cocós e os ranhos, os trabalhos de casa e o telefone que toca quando eu não posso atender, o cão a ladrar sempre que ouve o elevador a funcionar, a minha cabeça a explodir. Eu choro com a faca da cozinha na mão, tento controlar dois selvagens com gritos e ameaças, tento ignorar o choro do bebé que se entranha no cérebro e ressoa como uma trovoada. A nuvem cinzenta carregada, os ventos ciclónicos a extravasar da caixa craniana. E assim nasce a tempestade.

O arco-íris no fim do temporal promete sempre um amanhã melhor.

27/01/2012

A meio gás

O Novo Biscoito ao colo meio adormecido. As persianas meio abertas. Eu meio arranjada (tomei duche, escovei os dentes e vesti o pijama). A cozinha meia arrumada e meia carga de roupa passada e dobrada em cima da mesa. as camas feitas à papo-seco. Mais uma hora e é meio-dia e decidi passar a tarde a passear. A outra metade da casa que se arrume sozinha.

08/01/2012

Festas felizes

O Natal terminou oficialmente cá em casa.
Para celebrar o fim da engorda, fui comer uma fatia dupla de bolo brigadeiro.
Estou um bocadinho enjoada...

04/01/2012

Ano Novo e estamos todos doentes a tentar não cuspir os pulmões a toda a hora.

Ontem falhámos espetacularmente a consulta dos dois meses do Novo Biscoito. Começamos bem, portanto. Estes stresses de tentar saír de casa para chegar a horas a algum lado com crianças e bebés de colo é sempre muito pouco simples e origina alguns transtornos emocionais - da minha parte - o que dá aso a alguns momentos de meditação profunda, findo os quais chego sempre à conclusão que não sou a super-mulher e que não controlo o Universo, logo, o melhor é começar a SIMPLIFICAR.

Primeira resolução do ano: gastar um dinheirão numa consulta domiciliária para o Biscoito. O dinheiro serve para ser gasto em coisas úteis, dá muito trabalho levar os miudos todos à urgência do centro de saúde e a minha sanidade mental é preciosa;

Segunda resolução do ano: simplificar as nossas vidas, declinar e aproveitar aquilo que temos. Aqui se inclui também uma razia total às roupas e brinquedos e outras complicações que trazemos sempre para a nossa vidas. Partir a loiça que estava em cima da mesa é sempre um bom incentivo;

Terceira resolução do ano: doar a Sutra a alguma alma caridosa com quintal;
 
Quarta resolução do ano: tentar sacar o máximo possível em abonos, subsídios retroativos e outros incentivos à maternidade. (quatro horas, meu Deus, QUATRO HORAS de espera com o Biscoito e o Novo Biscoito na sala de espera da Segurança Social para o atendimento prioritário!) 
 
A ver no que isto dá. Estou confiante que o mundo pode acabar que eu hei-de ter a minha vida em ordem.