30/01/2008

O bebé cai


O Biscoito tem vindo a aprender sem pudores os factos da vida.
Sabe que os meninos têm pilinha e as meninas pipi.
Que todos temos maminhas, mas que as das mães são grandes.

Sabe que os bebés crescem nas barrigas das mães.
Para que nunca pense que veio de cegonha no último expresso de Paris, já tratámos de lhe explicar que os bebés são feitos pelas mães e pelos pais, que o mano cresce na barriga da mãe e que quando estiver grande sai cá para fora.

Ele diz que o bebé cai - pum - e faz uáá uáá.
Já lhe tentei explicar que o bebé não cai coisa nenhuma, que a mamã segura nele antes de bater com a cabeça no chão, mas parece-me que o Biscoito acha muito mais divertida a ideia de um bebé a chorar porque caíu.

A minha mãe ensinou-me tudo o que eu precisava de saber através deste livro (Peter MAYLE, De onde viemos?; ed. Mosaico; São Paulo, 1973), e mais de vinte anos depois, ensino eu ao meu filho.
Há livros assim, como o
Dr. Spock, A Menina do Mar, ou as 365 Histórias de Encantar, que atravessam reedições e gerações.

Na ecografia tinha três pernas, logo...


...é rapaz!
E é adorável que o seja.
Primeiro dois rapazes, para poupar nas roupas e nos brinquedos, mais tarde uma menina para mimar e pôr laçarotes nas trancinhas.
Como a minha irmã diz, daqui a dez anos tens uma menina e podes estar descansada, porque os irmãos só a vão deixar namorar quando fizer vinte anos. Parece-me bem.
Agora pergunto-me que nome terá. Será Miguel ou Pedro? Henrique, João ou Rafael? Entretanto o Biscoito diverte-se a desenhar bebés de todas as cores na minha barriga.
Por enquanto, refreamos a fúria consumista porque já temos o enchoval do Biscoito. Melhoramos de um lado e pomos discretamente de parte o que não gostamos, não serviu ou nunca foi usado.
E o pano (sling) vai continuar azul.

23/01/2008

09/01/2008

Resoluções de Ano Novo

Apesar de já estarmos na terceira semana do ano (isso se os meus cálculos não me falham, porque ainda não comprei uma agenda nova), as surpresas continuam.
A minha grande resolução de ano novo, sussurrada debaixo do edredon logo na manhã do primeiro dia foi ser mais paciente e aceitar a minha condição de mãe-desempregada-dona-de-casa-grávida-e-que-nunca-termina-os-seus-projectos. Dito assim em voz alta, a coisa começa a ter forma e conseguimos andar para a frente.
Eu não gosto de ser dona de casa, mas também não tenho emprego e a gravidez não ajuda à situação; logo, o melhor é aproveitar estas férias forçadas da melhor maneira e mentalizar-me que também posso ser feliz assim. Posto isto, tenho aproveitado realmente ao máximo.
Já comprei roupa de grávida decente nos saldos, já fui ver a colecção Hermitage, que deixa imenso a desejar mas com a qual já aprendi coisas novas e vontade de começara ler A filha de Rasputine; já fui ver A Bússula Dourada e como consequência, já descobri mais três livros para ler; estou quase a terminar o último livro do Maurice Druon e muito indecisa entre começar pela tradução do último Harry Potter, que eu já li no original, ou pelo primeiro das Brumas de Avalon. Depois tenho de escolher entre visitar o MNA ou o MNAA durante a semana e decidir qual vai ser deixado para domingo. A vida é feita de escolhas difíceis...
Outra resolução de ano novo afectou directamente o Biscoito. Depois da overdose de desenhos animados durante as férias de Natal, desligámos a televisão durante a semana. É brutal, mas já se notam os seus efeitos. Nele, que se entretém sozinho a imaginar batalhas navais com piratas, baleias e leões, que já sabe mais letras do alfabeto e hoje descobriu a subtil diferença entre amarelo e cor-de-laranja. Em mim, que fiquei de repente com mais paciência para ele e até me tornei uma mestre em plasticina e origami. Só vantagens.
Agora as surpresas. O Continente comprou o Carrefour. Foi uma desilusão, confesso, porque para mim, hipermercado=Carrefour. Podia comprar coisas de marca branca e achá-las o máximo, porque vinham em francês, tipo petits pois de campagne ou moutarde a l'ancienne, não se pagava o estacionamento e até tinha quase nove euros acumulados no cartão. Agora tenho de diversificar ainda mais. Hoje fui trocar o cartão por um vale de desconto e comprar as últimas garrafas de jus miltivitamines e de compote de pommes alegée. Não gosto do Continente, é caro e reles e detesto o logótipo. Felizmente vivemos em democracia e eu posso passar-me para a concorrência sem problemas de consciência e ir mais vezes à mercearia da esquina que agora já tem leite do dia.

Outra surpresa, afinal não tenho nenhuma infecção renal assintomática, a enfermeira é que é positivamente estúpida. E ainda tem a lata de se queixar que "os paciente chegam atrasados, o que é que se há-de fazer" quando eu cheguei duas horas antes da consulta para poder ter tempo de passar por ela e de saber que só engordei um quilinho pequenino durante os desvarios gastronómicos da saison.
Ahhh, respirar fundo, que o ano é novinho em folha.