19/12/2010

Paraíso



Finalmente compreendi o significado desta carta. O Paraíso na Terra vais ser conseguido através da mulher. Ela é a Noiva, guardiã da Sabedoria, da Harmonia, do Amor. Faz um par perfeito com o Noivo sagrado na regenarção do Mundo.
Afinal eu sempre sou especial.

Natal Nacional

Este Natal os presentes para os adultos foram feitos em casa.
O dinheiro nunca abundou, mas desta vez decidi poupar o subsídio de Natal para oferecer presentes aos miúdos e oferecer um pouco de mim aos pais, tios e avós.
Nunca gastei muito dinheiro nos presentes para os meus filhos, sabendo de antemão que eles íam receber imensos de todas as outras pessoas. Desta vez decidi que ía ser diferente.
Nada de meias, apesar dos protestos do meu marido e da minha irmã que adoram receber meias no Natal (a sério!) e nada de presentes simbólicos só porque tem de ser.
Comprei uma montanha de brinquedos para oferecer aos pequenos, a saber, o Francisco, a Vera, a Madalena, o Pedro e o Vasco. Para os adultos, dos quais se excluem os pais dos primos pequenos, fiz com muito amor e carinho seis frascos enormes de pêra bêbeda e outros tantos de foi gras de porco. Confesso que me esmerei e que está tudo delicioso. Falta agora fazer o foi gras de pato e decidir quem é que vai comer o quê.
Para fazer isto tudo, dei cabo do stock de frascos do Continente e tive de ir comprar os que faltavam ao Jumbo. Foi engraçado saber que o aviso - Ruptura de stock - fora causado por mim...
Apesar de os ingredientes serem pouco económicos, por serem de produção nacional e de alta qualidade, a verdade é que, adulterando um pouco as quantidades da receita do Pantagruel (relíquia culinária da família), consegui produzir uma quantidade invejável de foi gras. Quando tirei os frascos do forno para os rolhar, dei por mim a pensar o dinheiro que poupei a fazer em vez de comprar.
Espero que gostem.

24/11/2010

24 Novembro Greve Geral

Diz o Presidente Ramalho Eanes em entrevista à agência Lusa:

"Acreditava-se, talvez um pouco utopicamente, que a democracia iria permitir que o país avançasse, evoluísse, se modernizasse, se tornasse mais justo e mais solidário. Pensava-se que tudo isso decorreria normalmente da democracia. Infelizmente não aconteceu".

16/11/2010

Hierarquias

Hoje berrei com uma colega. Gritei-lhe entre outras coisas: "Não precisas de me dizer como é que o meu departamento funciona!".
Ela não tem de me dizer nada porque eu sei tudo. Eu adoro o meu trabalho e luto pela visibilidade do meu departamento desde que aqui cheguei.
Eu sou uma simples operadora no fundo da cadeia alimentar. Ela é team leader de outro departamento, bem posicionada na hierarquia da empresa.
Eu estou coberta de razão.

Um dia isto vai cair-me em cima.

15/11/2010

O meu marido é o melhor do mundo

 

Como sempre, a minha irmã ligou- me a perguntar se eu queria ir à estreia com ela.
Ao contrário de sempre, tenho uma babysitter.

27/10/2010

Jogging matinal

Ainda de noite, saí para passear a Sutra e preparar-me para chegar cedo ao emprego.
A bicha topou uma cadela do outro lado da estrada com quem não se dá particularmente bem e largou a correr levando-me atrás. Espalhei-me ao comprido no meio do alcatrão e aterrei numa esparregata caricata enquanto a Sutra largava numa corrida furiosa atrás da outra cadela.
O dia não podia ter começado melhor. Vou chegar a casa e esconder-me debaixo do edredon até ao dia seguinte.

20/10/2010

Herpes Simplex Tipo 1


O meu herpes rebentou.

Estou interdita de beijar o meu marido e os meus filhos, nada de partilhar chávena de café ou copo de vinho.
Faz-me falta beijar os meus homens.
A minha prima sempre disse que as mazelas cutâneas são assuntos que não conseguimos resolver e que se manifestam na pele.

Sentir na pele a ansiedade de saber se posso ou não comprar a casa perfeitam,
Sentir na pele a pressão do chefe no trabalho
Sentir na pele a impotência perante factos que não se controlam.

Também pode simplesmente ter sido do exagero de sapateira e vinho verde do fim de semana.

06/10/2010

100 anos de República

Ontem vim trabalhar. Eu e mais meia dúzia de gatos pingados prescindimos do nosso merecido descanso celebrativo de um regime democrático (demos -kratos) e viemos responder às questões aflitas dos nossos fornecedores europeus que, na esmagadora maioria, são de países monárquicos e por isso não entendem porque deve num país ser feriado nacional por uma revoluçãozeca carbonária-anarquista.

Voltei para casa ciente de que a minha entidade patronal seguiria os direitos dos trabalhadores inscritos na nossa tão querida  constituição comunista pós 25 de abril, já a pensar nos quatro euros e pouco multiplicados por oito longas e penosas horas de trabalho que receberei a mais no próximo mês.

De noite, já com os meus queridos Biscoitos na cama, meio deitada no sofá, de camisa de noite e caixa de bombons Fauchon  no colo(para mim só o melhor), zappava entre um canal e outro para ver afinal o que de bom nos trouxe a revolução de 1910. Ouvi atentamente a opinião do Fernando Rosas em dois canais diferentes e de outras tantas figuras ilustres da historiografia política nacional e cheguei a uma iluminada conclusão:

A República trouxe-nos a responsabilidade e o sentimento de culpa de sermos nós a escolher o nosso representante, a grande maioria das vezes um ilustre desconhecido no plano internacional.
A Monarquia faria bem mais sentido nesse aspecto, tanto que os nobres reis dos nossos vizinhos europeus são todos primos uns dos outros e, claro está, conhecem-se desde sempre.
Assim, se o nosso chefe de estado republicano recebe ou é recebido por outro chefe de estado monárquico, não será tão fácil encetar conversa nem trocar favores, como o seria e decerto será entre primos.
- Olha lá, ó Juan Carlitos, não achas que os etarras que nós apanhámos junto à fronteira com um carro cheio de explosivos deviam ficar por cá mesmo? Ninguém quer saber do País Basco para nada cá no nosso país, e é sempre uma chatice depois andarem a dizer que fomos nós os responsáveis pela prisão perpétua e torturas daqueles independentistas...
- ó Duarte, é pá que olha que não sei, vamos para ali conversar, passa-me aí o doce de morango, talvez se a tua Isabelinha puxar uns cordelinho na Cruz Vermelha a gente até se consiga entender. É que eu preciso de umas ambulâncias para o Afeganistão...
E assim por diante com um chá e scones pelo meio.

Eu não sou monárquica. Arrepia-me a ideia de ter um atrasado mental escolhido por Deus como representante máximo do nosso país e termos de o aguentar até ele morrer e depois aguentar com crises dinásticas, porque o atraso mental não faz filhos e depois é uma chatice para escolher descendente.
Mas agora sem o poder de dissolução do governo, talvez até nem fosse tão má ideia. Afinal, um Presidente da República é só para inglês ver, não é? Porque não um Rei? Lá está, um primo afastado da Elisabeth.

10/09/2010

Bebé Milagre

Era uma vez um menino que foi encontrado num caixote do lixo.
Era recém-nascido.
Levaram-no para o hospital e daí para os serviços sociais onde foi entregue para adopção.
Foi adoptado por um casal que já perdera a esperança de alguma ver serem pais.
Deram-lhe o nome de Pedro por ter nascido no dia do santo.
O menino tinha cabelos loiros e olhos claros. Era um bebé perfeito.
Foi-lhe diagnosticada uma leucemia e passou a vida toda a entrar e sair dos hospitais.
Cresceu desfigurado pelos medicamentos e pelas radiações, sem nunca mais lhe crescerem os caracóis louros.
Fez um transplante de medula quando já ninguém acreditava em milagres.
Sobreviveu.
Cegou e ficou surdo.
Nos últimos meses era atormentado por dores constantes que não o deixavam dormir. Já não andava.
Morreu hoje de manhã nos braços do pai que o adorava.
O coração não aguentou mais a dor nem a morfina.
Estamos desolados.

31/08/2010

Durante as férias

- Os meus homens estão tão bronzeados que parecem indianos
- Eu estou tão bronzeada que até tenho sardas nas mãos
- Os Biscoitos já nadam
- Chegámos à conclusão que os linguados não se pescam à pedrada
- As t-shirts de surf infantis são a melhor invenção do mundo (protegem do sol e vêem-se ao longe)
- A Sutra deixou de dormir debaixo da nossa cama e passou a dormir no quintal
- Continuo a tricotar furiosamente camisolas para os miúdos e para mim
- Estourei o resto do meu dinheiro todo nos saldos do Freeport
- Comecei a pintar a Nossa senhora do Leite que tinha guardada desde janeiro
- Fomos ontem a Lisboa tratar de burocracias e nem passei por casa
- Quero mesmo vir viver para aqui
- Já só me falta esta semana de férias

Mesmo antes da férias

- O Biscoito foi finalmente operado
- Eu ía tendo um ataque cardíaco
- O Biscoito é o meu orgulho
- Deu-se um bocadinho mal com a anestesia e passou o dia seguinte a vomitar no meu colo
- Acendi tantas velinhas na capela que lhes perdi aconta
- Ficámos uma semana inteira fechados em casa
- Partiu-me o coração vê-lo a sofrer tanto
- Comecei a bater com a cabeça nas paredes quando o infantáro fechou para férias

Antes das férias

- Perdemos as chaves sobresselentes dos carros nas areias de Tróia
- Não encontrei as chaves do carro
- Matei as saudades dos transportes públicos
- Cheguei sempre atrasada ao emprego
- Fiquei com menos cinco horas de flex time
- Fiquei mesmo fartinha do emprego

16/06/2010

2!



Há precisamente dois anos atrás, a minha mãe insistiu em ir comigo à última consulta antes da data de parto prevista. Lembro-me nitidamente de, ao passar pelos portões do hospital, sentir um calor entre as pernas, como se estivesse a deixar escapar algum tipo de fluxo energético. Disse à minha mãe, ocupada a tentar encontrar um lugar para estacionar o mais perto possível da porta, pois a minha barriga era enorme e eu tinha sérias dificuldades em andar mais de vinte metros sem começar a ficar com dores, "Acho que as àguas rebentaram". Assim que entrámos no hospital, as minhas calças estavam completamente encharcadas. Eu coxeava um pouco de tão grande o esforço de percorrer aqueles corredores intermináveis. "Acho que já não vamos à consulta, disse eu num riso nervoso, "vamos é directamente para as urgências de ginecologia, porque o miúdo vai mesmo nascer hoje." A minha mãe ficou nervosíssima, não fosse eu dar à luz ali mesmo.
A primeira experiência tinha sido um pouco traumatizante para todos, pois o Biscoito nasceu com uma facilidade estrondosa, de tal maneira que nem eu nem a médica obstetra estávamos ainda na sala de partos e as enfermeiras tiveram de fazer uma corrida para eu não parir no corredor. Quando o Biscoito nasceu, estava o pai a entrar pela porta dentro.
Vimo-nos então obrigadas a coxear (eu) até à outra ponta do edifício. Não conseguindo acompanhar-me no meu passo hesitante, tal a espectativa, a minha mãe tinha de voltar várias vezes atrás com muitos "estás bem?". Chegadas (finalmente) às urgências de ginecologia, eu e muitas outras grávidas, algumas das quais reconheci da sala de espera das consultas de saúde materna, mais os maridos, mães e alguns filhos, lutávamos mais ou menos silenciosamente contra as dores das contrações e o desconforto dos bancos de madeira. Ao longe, por trás de um biombo improvisado que dividia o corredor transformado em sala de espera, ouvíamos gritos absolutamente arrepiantes. Mulheres com dores. Com dores muito fortes. Passos rápidos e o tilintar metálico dos instrumentos médicos. Eu ali, sem dores, cheia de fome e desconfortável com as calças empapadas numa àgua morna, esperava. Passado um tempo que me pareceu imenso, chamaram-me e deram-me uma bata e uns chinelos para eu me trocar. Muitas medições de ritmos cardíacos e outros procediementos obstetrícios depois, vi-me a ser conduzida numa cadeira de rodas por uma auxiliar adepta de carrinhos de choque por mais portas e corredores até chegar à porta da ala de partos. "A partir daqui só quem vai acompanhar a mãe é que pode entrar." e largou-me ali depois de tocar à campainha. Eu e a minha mãe olhámos incrédulas uma para a outra, eu pensei pronto, é aqui que nos separamos, talvez corra tudo bem, talvez corra tudo mal e a última imagem que a minha mãe vai ter de mim sou eu enorme, numa bata de florinhas amarelas e chinelos de hospital, sentada numa cadeira de rodas com um saco verde ao colo com todos os meus pertences dentro. Disse-lhe a sorrir que tudo ía correr bem, ela que não se preocupasse, que fosse para casa descansada. Já sozinha e instalada na cama, lembro-me de rezar para o Ricardo chegar depressa. Quando ele finalmente chegou à hora de almoço, eu já estava com bastantes dores. Soprava, torcia-me e mordia o lábio, mas tal como da primeira vez, nem um ai. Tive duas companheiras de parto, todas elas muito simpáticas e educadas dadas as circunstâncias, todas elas já na segunda ou terceira criança. Nenhuma se descontrolou por aí além, a enfermeira vinha e levava-as e passado poucos minutos ouvia-se um choro de recém-nascido numa sala ao fundo. Passei horas a olhar para a janela e para o céu azul, concentrando-me em ouvir os carros a passar em direcção ao parque de estacionamento, as  vozes das pessoas a passar no jardim. Volta e meia agitava o leque, que nos últimos tempo se tornara acessório obrigatório para mim, uma grávida inchada e cheia de afrontamentos, mais para aliviar uma contração do que por calor. O Ricardo via um futebol qualquer no telemóvel, trocava mensagens freneticamente com o mundo inteiro e fazia-me rir. Sobretudo, fazia-me rir. Eu sentia a cabeça do Outro Biscoito a descer e alojar-se cada vez mais fundo, sentia os músculos a esticar e os ossos a afastarem-se, a barriga retesava-se cada vez mais por cada vez mais longos períodos de tempo numa onda de dor. O sofrimento prazenteiro de quem vai dar à luz. Subitamente, uma papa translúcida escoou pelas minhas pernas e mais àgua, muita àgua morna a inundar os lençóis e a empapar tudo. O Outro Biscoito estava a nascer. As contrações eram muito mais fortes do que no primeiro parto e eu chorava baixinho e chamava pelo Ricardo que tinha ido não sei onde e se demorava. A epidural veio a tempo de eu me aguentar sem gemer. Faço ponto de honra de não soltar sequer um suspiro em nenhum dos partos dos meus filhos. Estas dores devem aguentar-se sem estardalhaços. Quando o Ricardo chegou eu fiquei feliz. Recordo-me distintamente desse sentimento, felicidade. Esperámos mais uma hora ou algo assim, até que o meu corpo começou a empurrar o bebé que tinha lá dentro. Suavemente mas com uma eficiência espantosa, todos os músculos do meu corpo acompanhavam o bebé pequenino que queria nascer. Mais uma vez tivémos de chamar a enfermeira depressa e, mais uma vez, esta não acreditou "Oh, não está nada, que disaparate, é só impressão". Olhe que não é, disse eu, ele está com a cabeça a aparecer que eu sinto. E lá fomos nós em velocidade ultra-sónica para a sala de partos, onde o Outro Biscoito nasceu em menos de um minuto. Senti tudo, sem dor, sem stress. O meu filho nasceu e a primeira coisa que lhe vi foi um pé. O Ricardo estava absolutamente feliz. O bebé tinha mesmo cara de Pedro e Pedro ficou.
Hoje faz dois anos.
Parabéns, meu Biscoitinho!

07/06/2010

Fim de semana grande

Muito sol, vento e calor.
Vej-te ensinar o Outro Biscoito a bater os pés enquanto o Biscoito chapinha ruidosamente na àgua. Estamos felizes. Os dias correm calmamente com uma única preocupação: o que é o jantar?
À noite enrolamo-nos na manta e ficamos deitados a contar as estrelas. Adormecemos ao som das ondas a bater na falésia com a certeza de o amanhã ser tão perfeito como o dia que passou.

Adoro-te.

31/05/2010

Semana dos infernos

Caíu o dente ao Biscoito.

O meu ordenado levou tanto de impostos que ganhei menos do que o meu salário base.

Entrei no Toys 'R' Us com os dois Biscoitos, perdi-os à vez e senti-me uma mãe horrível com toda a gente a olhar para mim por andar sempre à procura de um miúdo, inclusivé na caixa, já com o dinheiro na mão.

A Sutra fugiu duas vezes para ir ter com o namorado.

O Veterinário já me ligou a dizer que já tem a pílula canina do dia seguinte e que tenho de desembolsar quase noventa euros.

A casa que eu e o Ricardo andávamos a namorar está tão cheia de humidade que desistimos da compra.

Tive uma urticária alérgica e tive de ir às urgências levar cortisona directamente na veia antes que morresse ali.

Adormeci no trabalho em frente ao computador.

Encomendei um biombo (uma coisa para esconder as nódoas na parede da sala) por um balúrdio e esqueci-me que ainda tinha de pagar a conta do veterinário.

Vamos de fim-de-semana para o Algarve.

Vou ficar sem dinheiro antes do primeiro dia do mês.

20/05/2010

Mapa

Ontem perdi-me a caminho do emprego.
Tinha vestida uma blusa com o mapa da Europa estampado.

12/05/2010

Dente amandado e Papa no Terreiro do Paço

O Papa entrou pela nossa casa adentro com a pronúncia do meu chefe: "Vos agrradeçô du fundô dô corraçáo" tal como o meu chefe diz "Um momentô dê atençáo, porr favorr".
Enquanto obervávamos a homilia papal entre maçãs e iogurtes, os meus Biscoitos cresceram.
O Outro Biscoito pegou-me na mão e quis sentar-se na sanita para fazer xixi e cocó.
O Biscoito disse que lhe doía um dente.
Enquanto limpava rabiosques e mãos e tentava evitar que o Outro Biscoito visse no rolo de papel higiénico uma fita gigante de papel para desenrolar, enquanto o Papa benzia cálices e hóstias e a mitra quase lhe voava da cabeça com a ventania da beira-rio, o Biscoito mostrou-me o dente que lhe doía.
Um incisivo de baixo a abanar um pouco, a começar a ser empurrado pelo dente definitivo.
Dente difinitivo.
Definitivo.
"Estás a ficar um menino grande!" exclamei.
- O dente está mesmo a amandar, vai doer? Vai deitar sangue? perguntou o Biscoito com os olhos muito abertos e dedo no dente.
"Não querido, não vai doer quase nada e nem sempre deita sangue. Não tens de te preocupar, o teu dente novo empurra o dente pequenino para fora para poder crescer."
Adormecemos os dois a rir muito com a ideia de dentes amandados e moedas debaixo da almofada.

05/05/2010

Dia da mãe

No cimo das escadas, num papel gigante, todos os meninos escreveram as qualidades das suas mães.
Por entre muitos "é bonita" "é a mamã mais querida" e outras preciosidades, o meu filhotinho querido escreveu:

"A minha mãe cozinha muito bem".

Rendi-me. O puto merece um bolo. E massa comprida com almôndegas, que é o que ele gosta.

30/04/2010

Organização

Estava há uma semana com o carro na reserva. Não tinha dinheiro para pôr gasolina.
Ontem recebi o ordenado e achei boa ideia ir encher o depósito.
Esperta, decidi ir primeiro ao supermercado para receber os talões de desconto da bomba de gasolina em frente.
Assim fiz.
Cheguei à bomba, enquanto esperava que o carro da frente desocupasse a bomba, o meu carro desligou-se.
Estava a meio metro da mangueira e tive de empurrar o carro.
Se tivesse resdolvido ir buscar os miúdos, tinha ficado parada no meio da 2ª circular à hora de ponta...

21/04/2010

A memória do dia 25

Resposta ao post da Rita:

O 25 de Abril foi uma a madrugada que me permitiu viver sempre em democracia, ter sempre a liberdade de escolher o que quero e o que não quero.

Parece um bom uso das palavras 25 de Abril  democracia e liberdade numa mesma frase?

14/04/2010

Parabéns Biscoito!

O Biscoito faz cinco anos. Agora que é um menino grande, continua a ser o meu menino querido.

23/03/2010

We went to the dark side

And we got this picture:

(falta aqui a foto, ó Ricardo!)

09/03/2010

Estudos Gerais

Li esta notícia hoje online, no i:
"Estudos Gerais é o nome da nova licenciatura que no próximo ano lectivo estará entre o leque de cursos oferecidos pela Universidade de Lisboa.
Pela primeira vez, haverá uma licenciatura que combina Humanidades, Ciências e Belas-Artes, à semelhança do que acontece nas 20 melhores universidades do mundo
Pode parecer uma excentricidade, mas esta grande variedade de disciplinas só pode trazer vantagens. Um aluno poderá sempre inflectir o seu currículo para satisfazer os requisitos do mestrado, doutoramento ou profissão que pretende seguir.
O que uma universidade tem de fazer nas suas licenciaturas é preparar os seus graduados para saber várias coisas, relacionar várias coisas, pensar em vários problemas e ajudá-los a ter ideias."
 
Está quinze anos atrasada. Que pena.

26/02/2010

As rosas


As rosas da casa da minha avó morreram. Os caules murcharam e os botões definharam desde que a minha avó morreu. 
Entro na casa e o cheiro de casa-museu casa-morta invade-me as narinas. Bem lá no fundo do nariz, junto ao cérebro e ao sítio onde se armazenam as memórias que valem a pena relembrar, o cheiro da minha avó.
Olho o fogão e a cadeira onde me sentava a vê-la cozinhar. O bolo mármore perfeito, o refogado com tomate, a cabidela para o meu pai e as omeletes que eu aprendi a não desmanchar.
Abro as arcas e encontro os tesouros da minha infância. O vestido de renda creme e o de tule com uma só alça, colchas e outros lavoures. Carteiras, casacos e dois smokings completos, um sobretudo de cachemira. Na saleta onde ela dançava connosco, a vitrine com as cigarreiras do meu avô, os copos de cristal. Uma caixa sem bombons, um baton "Rouge" Chanel e fotografias de Àfrica.
Também as rosas têm saudades dela.

22/02/2010

Carnaval

Festa faz bem ao casamento e muito mal à saude...

02/02/2010

Pouca vontade de trabalhar

Pergunto-me se será possível ficar a esfregar o olho esquerdo durante os seis minutos que faltam para a minha hora de almoço.

29/01/2010

Noites frias

As noites estão frias e o meu quarto gelado. Para me aquecer e adormecer os Biscoitos, temos dormido juntinhos na cama grande.
A cama grande é a minha. É de latão e era dos meus pais.
Acontece que muitas vezes o Pai é o último a chegar e já não cabe. Está lá uma mãe, dois filhos e algumas vezes um cão, não sobra espaço nenhum para mais ninguém.
Adoro ouvir os meus filhos a dormir e ficar rodeada do cheiro deles. É bom.

25/01/2010

Carta ao Pai

Olá Pai,

Estamos bem, ainda não vi se me mandaste dinheiro, mas como enchi o depósito na 6ª feira e o multibanco não bloqueou, quer-me parecer que sim, que o dinheiro chegou.
Mais uma vez obrigada, dá muito jeito, confesso, porque este ano não vou ser promovida nem aumentada. Ossos do ofício.

Fora isso, no emprego está tudo bem, o Ricardo também se está a dar-se bem e os miúdos continuam umas pestes.

O cão pensa que o Pedro é cachorro e são inseparáveis. Comem do mesmo prato, do mesmo talher, rebolam-se juntos e poem-me louca. O Pedro ainda não usa o bacio, porque das primeiras vezes que o sentei lá, a Sutra foi atrás e comeu os cocós. O Pedro (e a Sutra) comem tudo o que se lhes põe à frente e dormem bem. O Pedro já diz mais algumas palavras, a maior parte delas incompreensíveis para nós, mas fala e canta imenso lá naquela língua dele. Um gozo, digo-te.
O Francisco está mais crescido, agora quer ir perfumado para a escola por causa de uma miúda chamada Mariana e anda sempre meio nú "para mostrar os músculos". Não come nada de jeito e é uma tortura para comer "coisas verdes". Continua a acordar de noite para vir dormir na nossa cama mas nunca mais fez xixi. Já escreve e começa agora a ler, muito mal e muito pouco, mas já mostra vontade. Coisa engraçada, entendeu que espírito e corpo são duas coisas diferentes e fica muito preocupado com o que será que lhe acontece (ao espírito) quando o corpo dele morrer e se transformar em "comida para plantas". Não se mostra por aí angustiado e ninguém está muito preocupado com isso, afinal, nós também não sabemos o que é que acontece. É extremamente protector em relação ao Pedro, apesar de lhe dar umas coças fenomenais quando o Pedro o chateia.
São adoráveis.

Estamos com saudades vossas.
Beijo grande
Filipa

18/01/2010