26/12/2008

Boxing day



A sweet day of nothing doing, even at work.
I do love Christmas.

18/12/2008

Mais milagres de natal

estamos na época. Proliferam como cogumelos.
(É o contrato assinado, é o lugar para estacionar à porta, é o pai que chega, é o cão que até nem rói tudo.)
Sou feliz.

05/12/2008

Santa Klaus e outros heróis



O Biscoito ainda não escreveu a carta ao Pai Natal.(A foto é do ano passado. Este Pai Natal foi absolutamente perfeito. Só espero encontrá-lo este ano também.) Quando eu era miúda escrevia sempre, com letra muito desenhada, e a minha mãe comprava selos e tudo para a colocarmos no correio. O Biscoito tem uma sorte dos diabos. Entrega-a directamente p.m.p. e nós, pais babados, acreditamos por um instante que o santo homem se dignou a vir passar a tarde ao centro comercial só para receber as cartas dos miúdos.

Para além de ter chaminé, o que por estes dias significa um questionário imenso sobre a razão de o Pai Natal querer os sapatos em cima do fogão, recebe precisamente o que pediu. Um brinquedo -UM UNO UN ONE EINS (1) - escolhido entre milhares, o brinquedo de eleição que o Pai Natal lhe oferece especialmente por ser um filho tão querido e adorável .

O ano passado foi surpresa que a criança era demasiado nova para ter discernimento, mas este ano, vai receber um fantástico e incrível Homem-Aranha. Tão simples quanto isso, um Homem-Aranha perfeitamente normal, sem adereços nem apetrechos, só o boneco, tal como escolheu.

Acreditam que para conseguir encontrar o raio do boneco, tive de procurar em seis (6!) lojas diferentes? Ele havia homens-aranha pequenos, homens-aranha pretos, vestidos à Iron Man, com teia, com moto4, com avião, com elicóptero, máscaras, lanternas, fatos completos de homem-aranha com músculo, sem músculo, tendas e toda uma parafernália de coisas, mas do Homem-Aranha simples tamanho standard népias. À quinta tentativa peguei num Batman (simples, sem apetrechos, tamanho standard) e dirigi-me para a caixa, já convencida que o pequeno haveria de receber juntamente com o Batman uma carta do Pai Natal a pedir imensa desculpa, mas que não havia Homem-Aranha disponível. E foi a imagem da cara de desconsolo do Biscoito que me fez reconsiderar e avançar para a sexta tentativa. Ali, escondido entre incríveis-hulkes e indiana-jones, um Homem- Aranha, simples, sem apetrechos, tamanho standard. O último de todos e era meu. Perdão, do Biscoito.

O primeiro milagre de Natal.

Presentes


Finalmente, todos comprados.
Nem um foi feito nem modificado. Todos comprados em boas lojas, de propósito para cada membro da família, desde os filhos às avós. Em vez de lacinhos, usei chupachupas e sombrinhas de chocolate. Depois da quantidade exorbitante de dinheiro que gastei nisto, ainda sobrou um dinheirinho para me comprar uns sapatos e fiquei feliz.
Penso agora que talvez não seja má ideia oferecer outros presentes a par com as rifas de Natal da paróquia. A ideia foi da Rita a quem eu já agradeci, porque é realmente uma boa ideia. Continuo à procura de senhas carbon-free para oferecer aos pais, mas não encontro. Ah, já encontrei.

01/12/2008

Advento


Ontem acendemos a primeira vela.
O Opa trouxe pessoalmente o presente da Oma numa visita relâmpago. Frio, neve e passeios infindáveis com o cão, as velas do Advento e a àrvore de Natal, cada vez me recordo mais da minha metade da famíla tão longe.
Fomos à missa, como convém nestes dias que antecedem a grande festa do inverno, ouvimos tocar o órgão (dos poucos que ainda resistem) e no momento mais solene, quando o padre se preparava para abençoar o vinho no cálice erguido, pergunta o Biscoito numa voz não suficientemente baixa:
- É a Taça Pistão?

26/11/2008

Vizinhança

Há vizinhos assim e vizinhos assado. Há os que passam por nós nas escadas, bom dia boa tarde e é tudo, há os que nos seguram a porta para passarmos com os sacos das compras e há os que da janela nos vêem a procurar a chave e carregam no trinco para a porta abrir. Os meus vizinhos são assim, estes últimos.
São dos que tomam conta dos Biscoitos por um instante enquanto eu vou com o cão à rua, são dos que nos convidam para provar aquele bolo especial, para ver o quadro que acabaram de pintar, que acham graça às rosnadelas da Sutra e não se incomodam nada com os berros dos miúdos, dos que nos perguntam se estamos melhor da constipação, se a entrevista correu bem. Dos que se queixam à porteira que a Sutra fez xixi no tapete, mas que não faz mal, coitadinha, ainda é cachorra, dos que apanham as molas que o Biscoito atira lá para baixo e mas entregam na primeira oportunidade, dos que deixam os miúdos brincar juntos em vez de dormirem a sesta.
Eu gosto destes meus vizinhos, tão diferentes, tão humanos, tão amáveis. Fazia-me falta uma vizinhança assim. Vizinhos a sério. Solidariedade de vão de escada. Tivesse eu quintal, haveria de fazer um churrasco de Natal com todos eles.

17/11/2008

Happy Mondays

Eu não tenho mau acordar. Nem sequer fico de mau humor por me levantar antes do sol nascer para tapar um, pôr a chucha ao outro e ir com a bicha à rua. Eu não tenho mau acordar. Só que quando todos acordam oficialmente, eu já estou de olho aberto à mais de uma hora, já vou na segunda chávena de café e acabou-se-me o sossego.
Acabou-se o olhar pela janela e ouvir os passarinhos. Acabou-se o comer torradas a meias com a cadela. Acabou-se o será que ainda consigo uns minutos enrolada no edredão antes de todos acordarem. Acabou-se o tempo para me pentear e arranjar as sobrancelhas sossegada.
Começa o bom dia mãe tenho fome quero sumo, o choro de fralda suja e o biberão para fazer, a cadela que quer ir outra vez à rua e um marido que grunhe um bom dia (com sorte) antes de se fechar na casa de banho. Depois é um corropio do outro mundo, uma troca de palavras mal dada e uma combinação mal feita do quem é que vai buscar o Biscoito à escola, leva o lixo, olha a reciclagem, o que é que queres para o jantar.
Um leite entornado, um bebé bolsado e uma cadela a roubar o pão com marmelada de cima da mesa enquanto eu procuro a esfregona. Muda-se a roupa ao mais novo (ora bolas, não me digas que a camisola está a lavar), enfia-se uma roupa quase limpa ao mais velho (só vais de cavaleiro se vestires a camisola), o cão que roeu o único par de sapatos que ainda serve (eu depois compro-te outros, deixa ver, pronto, agora estão iguais) e quando finalmente enfio todos no carro com um queque comprado à pressa na mercearia do lado, cão incuído, reparo que me esqueci do lenço, de me pentear e de lavar os dentes. Isto tudo com guinchos dos dois Biscoitos, um porque a Sutra quer comer o queque, outro eu não quero nem saber porquê. Só espero que haja trânsito, um trânsito infernal, para ficarem todos sentadinhos nos seus lugares montes de tempo e eu poder respirar.
Ajeito o cabelo o melhor possível, procuro uma pastilha elástica e reparo que vesti as calças sujas e pus as limpas a lavar. Menos mal, não tenho nódoas na camisola. Chego ao colégio, deixo os Biscoitos e vou para o carro enrolar um cigarro enquanto o cão passeia e faz xixi nas rodas dos carros. Finalmente, um minuto só para mim.
Apago a beata, meto o cão no carro e vou buscar o Outro Biscoito que ainda não fica no colégio mas que eu deixo no berçário enquanto vou levar o Biscoito à sala dele. Volto para casa e olho desconsolada para o frigorífico quase vazio, mas não é hoje que vou às compras. Deixo a sopa a fazer e bebo o resto do café que não consegui beber antes. Daqui a precisamente 23 minutos, o Outro Biscoito acorda para comer.
Respiro. Hoje é segunda-feira. Faltam só mais quatro dias.

07/11/2008

Dentes novos e é preciso morder em alguma coisa


Natal à porta

Oh horror! Oh angústia! Ai que eu ainda não comprei os presentes de Natal!
Estou terrivelmente atrasada e já estamos em Novembro. Num ano normal, passaria o Verão a comprar os presentes de Natal para toda a família. Mas este ano o Outro Biscoito veio alterar-me os planos e a mudança e o assalto e agora o cão adiam cada vez mais as compras. Sim, compras, que desta vez não tenho tempo de fazer nem personalizar presente nenhum.
Tenho de dar mais uma vista de olhos ao armário dos presentes e ver o que tenho guardado, de certeza que tenho presentes para metade da família e amigos enfiados num caixote à espera de serem embrulhados.
Ah, pois que eu reciclo presentes. Todos bons e novinhos em folha, são reciclados e oferecidos a outras pessoas e crianças no Natal seguinte e nos aniversários.
Assim já foram feitas muitas crianças felizes e poupados imensos euros.

Este ano nem sei como vai ser. Não me apetece ir às compras. Ando a adiar o mais possível, mas o fim do mês está quase a chegar e eu não faço compras em Dezembro, que é tarefa titânica atravessar mares de gente com cão e Biscoitos ao colo e aos pulos e a chorar e com fome e eu aflita para ir à casa de banho e a senhora à minha frente que nunca mais se despacha, vá lá, senhora, leve o papel e embrulhe em casa, mas em que bolso é que eu tenho o cartão, ó Francisco volta aqui imediatamente! sim, é isto tudo, ó Francisco não mexas nisso, querido, que parte, xiuuu, Pedrinho, deixa estar, estamos quase quase, que raio de mulher que não se despacha, olha agora tinha de chamar o supervisor e eu aqui quase a desmaiar de fome e onde está o miúdo que eu não o consigo ver com o bebé ao colo e os sacos e o cartão que não aprece e ufa! já estou cansada só de escrever.
Talvez entre na Unicef e compre tudo de uma assentada. O resto vai corrido a coisas doces.

Na próxima encarnação quero ser como a Fátima Felgueiras. Aposto que essa gaja horrorosa tem sempre alguém que lhe faça as compras de Natal.

05/11/2008

Dentada



O Biscoito foi mordido. Não pela Sutra, mas por um cocker que já o conhece há mais de três anos. Não estou nada contente. Aliás, estou muito muito zangada com o cão. A dona do cão nem deve ter dormido ontem. Não gosto de cockers desde que o meu tio ficou sem a ponta do nariz por causa do cocker dele. Esses cães não são bons com crianças.

Mudando de assunto, gosto muito de passear o cão. A Sutra acorda-me antes do despertador tocar. Dou-lhe de comer e faço o meu café. Saímos para a rua antes do sol nascer e voltamos sem ninguém dar por isso. Ficamos as duas a tomar o resto do pequeno almoço na cozinha até um dos Biscoitos acordar. Temos ido passear o cão para a mata a caminho da escola. Às vezes vamos tão cedo que passeamos uma hora inteira.
Pergunto-me como é que ocupávamos o tempo antes de termos cão.

P.s: Estamos esperançados com os resultados transatlânticos. Acho que a Europa toda também está.

28/10/2008

Sutra



A Sutra tem cinco meses e ainda não mudou os caninos.
Gosta de pão com manteiga e de se esconder debaixo do sofá
Tem muito pelo e muito medo porque passou toda a curta vida numa box do canil.
Não sabe andar de trela e tem medo de ir à rua
Aprende depressa e anda sempre atrás de mim.
Gosta de mimos e esconde-se do Biscoito.
É o nosso cão. A família está completa.

24/10/2008

Porque sim

Outro dia, estando eu a navegar alegremente à procura de emprego, dou de caras com uma oferta para um estágio que eu nunca haveria de conseguir no estado em que está minha vida actual. Para além do CV em anexo, pedia que enumerássemos "dez autores e dez grandes livros que recomendariam para leitura, justificando os 3 primeiros itens de cada lista." Passei a manhã toda a fazê-la, sem qualquer intenção de enviar.
Deu-me pano para mangas. Mudei-a quatro vezes e ainda não sei qual a razão "adulta" de recomendar os três primeiros.
Sei qual a razão "miúda" de os recomendar a todos: porque sim. Porque são bons e estão bem escritos. Porque os li quando era catraia e nunca mais me esqueci deles. Porque de uma maneira ou de outra, tornei a lê-los várias vezes vários anos depois. Porque leio alguns deles aos meus filhos e acho que ninguém deve chegar à idade adulta sem os ler. Salva-se um ou dois de temas francamente pesados para um precioso cérebro em crescimento.
Aí vai:

1. Maurice DRUON, "Le Roi de Fer", vol. I, col. "Les Rois Maudits", 7 volumes;
Porque toda a gente devia ler estes livros para aprender a escrever um romance histórico como deve ser, para aprender a escrever uma trama apaixonante, para aprender a encadear as palavras de uma forma perfeita e exacta, para aprender a escrever ponto.

2. Susanna CLARKE, "Jonathan Strange e o Sr. Norrel"
Porque de certeza que esta senhora leu os livros do ponto 1, seguiu os meus conselhos e não se esqueceu de ser ciança.

3. Patrick SüSSKIND, "O Perfume"
Porque foi a primeira vez que me apaixonei por um livro. O livro tinha um cheiro imaginário intenso que se colava à minha pele e aos meus olhos e só me largava quando adormecia profundamente. Li-o quatro vezes, cada uma das vezes mais intensamente que a anterior.

4. Leon URIS, "O Haj"
O meu primeiro livro de adulto lido voluntariamente. Depois dele, passei a seguir mais atentamente os noticiários e a ter opinião própria sobre a "comunidade internacional".

5. J.K. ROWLING, "Harry Potter e a Pedra Filosofal", col."Harry Potter", 7 volumes
Porque sim, porque sim porque sim. Todos, sem excepção. Uma boa introdução ao ponto seguinte.

6. J.R.R. TOLKIEN, colecção "O Senhor dos Anéis", 3 volumes
Porque sim, e só depois de ler "O Hobbit".

7. Rudyard KIPLING, "O Livro da Selva"
Porque ninguém deve chegar à idade adulta sem o ler.

8. Antoine de SAINT-EXUPÉRY, "O Principezinho"
Idem.

9. J. M. BARRIE, "Peter Pan e Wendy"
Ibidem.

10. João AGUIAR, "O Homem sem Nome"
Porque é perfeito.

16/10/2008

Parabéns para mim

Ontem, no meio do jantar com a família e os filhos, lembrei-me de que nunca chegara a descarregar do telemóvel as fotografias do Outro Biscoito recém nascido.

09/10/2008

Família alargada

Vamos arranjar um cão.
Uma cadela. Os machos estão em maioria cá em casa.
Racionalmente, fiz uma lista dos prós e contras de ter um cão. Os prós são mais que muitos e os contras pareceram-me vagamente familiares com outros dois cachorros que se passeiam cá por casa. Vejam-se as semelhanças:

- Levantar cedo todos os dias para ir com o cão à rua/ levantar cedo todos os dias para dar o pequeno almoço aos Biscoitos;
- Levantar cedo ao fim de semana para ir com o cão à rua / levantar cedo ao fim de semana para ir ao parque;
- Apanhar cocós e ensinar a ir à rua / mudar fraldas e ensinar a usar a casa de banho;
- Pelo menos, uma hora por dia de corrida / pelo menos uma hora por dia no parque;
- Pêlos por todo o lado / pêlos e cabelos por todo o lado;
- Ladrar e latir / chorar e fazer birras impressionantes;
- Roer tudo / partir tudo e atirar tudo pela janela;
- Sujar o chão de àgua e comida / sujar o chão de àgua, sumo ou leite e comida;
- Saltar para o sofá / saltar para cima de mim quando estou no sofá;
- Dormir na cama dos donos / dormir na cama dos pais.

Aqui esgotei os argumentos contra. Talvez deva devolver os filhos.

05/10/2008

Medo

Sexta feira, eu e os Biscoitos levantámo-nos atrasados e fomo-nos preparando calmamente para saír. O Biscoito estava bem disposto, eu tinha o Outro Biscoito pronto e de barriga cheia e fui pôr a fralda no caixote do lixo da cozinha. Antes de lá chegar dei de caras com o homem.
Estava um homem na minha cozinha. Demorei meio milésimo de segundo a perceber que era um estranho e que tinha entrado pela marquise.
Aterrada, puxei o Biscoito para o quarto onde estava o Outro Biscoito e fechei-nos lá dentro. O homem teve a gentileza de não entrar nesse quarto e falou comigo sempre de fora da porta. Eu entretanto escondi os miúdos, mais para estarem fora da vista do homem do que outra coisa qualquer. Sempre em posição defensiva junto à porta do quarto, esperei que ele saísse. Demorou tudo menos de dez minutos.

Não tivesse eu os Biscoitos em casa, teria reagido de forma diferente? Teria ele reagido de forma diferente? A polícia supõe que não, que o assaltante não esperava encontrar ninguém em casa àquela hora. Vem PSP, sai PJ, tiram-se impressões digitais, identificam-se fotografias. Tudo rápido e eficiente. Eu inclusivé.
Os Biscoitos passaram o dia normalmente, não se quebrou nenhuma rotina. Dentro do possível, a normalidade, mas agora com medo.

22/09/2008

1 ano certinho


Último dia de verão.
O ano passado, por esta hora, estávamos nós a jantar em Azeitão. Nós e a família toda, a tua e a minha. Pela primeira vez, tive os meus pais e os meus irmãos juntos. Conheci os teus primos, tive as minhas amigas todas a rir ao mesmo tempo. Depois do jantar fomos ao Kubo. Eu de vestido de noiva e ténis, tu a contar as cabeças dos primos que eram tantos e a pedir bebidas para todos.
Passámos a noite de núpcias no aeroporto de Madrid, enrolados nas mochilas entre o freeshop e o Starbucks, ainda cheios de pétalas e arroz nos cabelos e decote.
No dia a seguir aterrámos no Panamá por engano. Não podia ter escolhido melhor companheiro de viagem
Nem noite de núpcias, nem primeiro aniversário, mas caixotes de mudanças e muitas fraldas. Nem sequer temos gás instalado para fazer o jantar. Aposto que assim que me conseguir sentar no sofá descansada, adormeço em menos de cinco minutos.
Feliz primeiro aniversário de casados, meu querido. Eu também te adoro.
Obs.: Um ano e uma semana depois tivémos a nossa noite de núpcias. Fizeste-me mais uma vez feliz.

18/09/2008

Classe A

O meu carro é o maior do mundo.
Já lá coube tudo e mais alguma coisa, mas hoje coube toda uma mobília de casa de banho e um colchão 90x190.
Malinha do Sport Billy? Esqueçam, o meu carro é que é!

06/09/2008

Mamã Bonita



A pretexto de mais um baptizado na família, fui ao cabeleireiro.
Ir ao cabeleireiro tem sido sempre uma experiência mais ou menos traumatizante para mim. A última vez foi no dia do meu casamento. A parvalhona-que-nem-tem-outro-nome estragou-me o cabelo com uma tinta que eu não pedira e o penteado ainda ficou mais traumatizado com quilos de laca e de outras substâncias irrespiráveis que, mais uma vez, eu não pedira. Resultado: uma cor esquisita num cabelo quebradiço para o dia mais feliz da minha vida. E eu, furiosa mas cheia de pressa, protestei só metade e nunca mais lá voltei.
Não, minto, depois disso, já bastante grávida do Outro Biscoito e muito mal humorada, entrei num, cortei o cabelo e gostei bastante, principalmente depois da cabeleireira concordar comigo em que a tal parvalhona-que-nem-tem-outro-nome era realmente uma assassina de cabelos disfarçada. Depois disso ainda fui fazer um brushing no boteco que abriu aqui mesmo ao lado, já o Outro Biscoito era nascido, desta feita para o baptizado dele.
Desde então, tenho continuado a busca incessante pelo cabeleireiro perfeito que há-de manter-me fiel até ao fim dos meus dias.

Este último não foi de certeza, e nem o preço apelativo me convence. Tipo self-service, sem nenhum requinte, altamente popular entre as senhoras da 5 de outubro, eu ía morrendo quando me chamaram pelo número (pois sim, era de tirar senha) e a rapariga, gorda e descomposta, pegou numa toalha, limpou a àgua da cadeira e os cabelos do lavatório que haviam sobrado da cabeleira aterior e, com o sorriso mais querido que tinha, esticou essa mesma toalha pronta para ma colocar sobre os ombros. Eu arrepiei até os pelinhos do dedão do pé. "Ai, desculpe, mas eu assim não consigo, faxavor de me trazer uma toalha nova" e a rapariga estranhou, mas tábem, eu é que sabia. Devo ter feito um olhar de bruxa, porque pelo caminho, tirou os ditos cabelos do ralo de dois lavatórios e só depois é que eu me sentei, toda tensa, só de imaginar se a miúda teria raspado as unhas no couro cabeludo de quantas senhoras antes de mim. Mas a mim não raspou, até fez massagem e tudo e a àgua estava bem, assim a atirar para o fria, mas agradável.
De passagem para o salão propriamente dito, onde se acotovelavam mulheres de tesouras em riste e madames de rolos nos cabelos, fiquei logo a gostar pouco, de tanto barulho que se ouvia. Dos secadores, das vassouras, das conversas de tudo. Vá lá, a televisão estava no mute.
Entretanto, encomendei uma manicure e a primeira pedicure da minha vida. Espantosamente, gostei. Juro que gostei.

Passei hoje o dia todo a olhar para as minhas vinte unhas e a exclamar que bonitas estavam, tão perfeitinhas e tão bem pintadas da minha cor preferida. O Biscoito passou também o dia inteiro a pegar-me na mão e a dar beijinhos em cada uma das minhas unhas perfeitamente cuidadas e a chamar-me Mamã Bonita. Ao jantar, enquanto comia a sopa, deu-me mais um beijo e disse que também gostava muito da minha boca pintada.
Vou passar a ir à manicure uma vez por mês e usar sempre baton - tudo em vermelho-coral.

29/08/2008

Les vacances



Nós e os Avecs fazemos férias em Agosto. As escolas fecham em Agosto, e os avós, que já não têm filhos na escola, fazem férias em Julho. Sorte a deles. Aqui em casa não temos outro remédio, tem de ser em Agosto e pronto.
Como não conseguíamos decidir entre a primeira ou a segunda quinzena, fizémos férias no meio. Mas já faz frio à noite e queremos cobertores na cama.
Agora que voltámos e o Biscoito dá comigo em doida porque não sei o que fazer com ele o dia todo com o Outro Biscoito a tiracolo, vamos mudar de casa. Outra vez, e arrendada, porque a renda não paga juros.
Voilá.

05/08/2008

Contacto



Desde há dois dias para cá, tenho vindo a ter umas conversas muito engraçadas com o Outro Biscoito. Tudo começa de madrugada, durante aquela hora fatídica em que o mundo inteiro dorme (pelo menos nesta parte do meridiano) e os bebés acordam cheios de fome. Depois de satisfeitas as necessidades básicas, dá-nos a espertina (a ele e a mim) e ficamos assim, deitados ao lado um do outro, ele a olhar para mim e eu a olhar para ele.


Foi quando tudo aconteceu. Virei-me para ele e disse qualquer disparate que me pareceu sensato na altura, e ele riu. Riu a sério, a fitar-me nos olhos e a abrir a boquinha desdentada no sorriso mais bonito do mundo. Foi mais uma gargalhada, porque fez um aaagh e agitou os braços, e depois palrou! o meu filhote pequenino começou a palrar! Eu, perfeitamente extasiada a olhar para ele e a vê-lo todo contente a comunicar voluntariamente comigo.


Depois resolvi cantar-lhe as canções de embalar que já me embalaram a mim e ao Biscoito, e foi o delírio total. O Outro Biscoito parecia que cantava comigo, todo contente e cada vez mais sorridente.


Depois sobreveio um esgar de dor e começou a birra de sono. Afinal, quinze minutos de conversa é muito tempo em horário de bebé.

31/07/2008

É por esta e por outras...


"Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito sono de manhã/
Escuto a correria da cidade que arde
E apressa o dia de amanhã/
De madrugada a gente ainda se ama
E a fábrica começa a buzinar/
O trânsito contorna a nossa cama, reclama
Do nosso eterno espreguiçar/
No colo da bebida companheira
No corpo do bendito violão/
Eu faço samba e amor a noite inteira
Não tenho a quem prestar satisfação/
Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito mais o que fazer/
Escuto a correria da cidade, que alarde
Será que é tão difícil amanhecer?/
Não sei se preguiçoso ou se covarde
Debaixo do meu cobertor de lã/
Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito sono de manhã"

...que eu tenho imensa pena se não saber tocar violão.

E pensar que os meus filhos adormecem a ouvir tais obscenidades.

25/07/2008

De férias

(foto que falta)

Estamos de férias. Quer isto dizer, o pai não está ainda de férias e o Biscoito tem saltitado de avós em avós. Eu e o Outro Biscoito lá vamos passando uns dias aqui e ali, mas quando a saudade apertou mais, aterrámos de malas e fraldas em Azeitão, deixando o pai sozinho em casa com os computadores e a Bimby "raptada" à avó. Mas já apareceu por cá. Devia ter fome.

Nos entretantos, e como o tempo está perfeito para quem não pode ir à praia, chapinhamos na piscina de borracha, adormecemos na rede, salvamos borrachos caídos do ninho, vamos ver patos e castelos com dragões, e depois lanchamos tortas e queijadas de Azeitão.

Ontem, enquanto adormecia o mais novo na rede e o mais velho saltitava pelo jardim com um carrinho em cada mão, lembrei-me que tinha chegado aos 30 e era mãe de dois belos rapazes. Tal como eu queria. E sorri. Parece-me que a felicidade tem sempre uma cor dourada. Talvez seja dos pores-do-sol em Ferragudo ou da luz a bater na caruma dos pinheiros, mas a verdade é que a hora do gin é sempre dada a este tipo de introspecções. Curiosamente, sempre felizes.

01/07/2008

S. Pedro


Domingo baptizámos o Outro Biscoito. Como vem sendo tradição na família*, o rebento foi baptizado no dia do santo do seu nome. Correu tudo ao lado.
Infelizmente, os bebés de 14 dias não percebem que têm de adiar a mamada para dali a uma hora, senão chegam atrasados ao festejo, nem os irmãos de três anos percebem que não podem deixar os pais adormecer profundamente no sofá. Felizmente, os sinos da igreja tocam tão alto que eu abri o olho mesmo a tempo de dar meia mamada ao mais novo, pentear o mais velho e apagar o lume onde derretia uma cafeteira calcinada de tanto tempo a aquecer a fogo brando. Valha-me a minha experiência de hôtesse d'accueil, que me permitiu maquilhar-me perfeitamente em dois segundos, enfiar os dois biscoitos no carro e fazer um sprint até casa da avó quando faltavam precisamente dez minutos para a missa começar. O pais ficou no duche e foi a pé.
Lá chegamos, ainda a vestir o Outro Biscoito pelo caminho e com uma manga toda bolsada, atrasados, mas chegámos. Ufa!
Uma vez imersos na luz dourada que reflectia do altar barroco, rodeados de Nossas Senhoras a parir Meninos-Deus de azulejo setecentista, os dois pimpolhos mais velhos (o Biscoito e o Bias) resolveram entreter-se a treinar equilibrismo no varão do assento do coro enquanto chuchavam alegremente as cabeças de dois peter-pans, capitães-gancho, sininhos e crocodilos e os cuspiam para cima do órgão. Lindo. Eu e a minha comadre ríamos à socapa, os pais suspiravam e os avós olhavam distraídamente para outro lado qualquer. Juro que toda a gente sufocou o riso quando os dois resolveram começar a jogar a apanhada no altar. Vá lá que o Outro Biscoito se portou lindamente e acho que adormeceu profundamente assim que sentiu a àgua benta a descer-lhe pela nuca.


Entretanto, os outros dois passaram o almoço impossíveis de aturar, encheram o Outro Biscoito de beijos e migalhas e enfiaram-se no rego do lago dos patos. Aí a festa acabou e cada um foi para sua casa enfiar o respectivo filho na banheira. O Outro Biscoito dormia profundamente com a barriga cheia de leite.
Uns santos, estes meus filhos.

*Parece-me que temos vindo a iniciar muitas tradições familiares novas, como as celebrações nas vésperas, os baptizados nos dias dos santos, acampamento em Alcácer do Sal em setembro, entre outras preciosidades.

25/06/2008

Música por todos os lados

Quando eu vivia a minha outra vida de camel filter numa mão e bombay sapphir na outra, ía a todos os concertos que podia, quer fossem de música clássica, quer fossem do mais puro rock.
No entanto, sempre tive uma certa predilecção por jazz e qualquer sonoridade mais jazzada ou mesmo sambada, desde que fique bem com um pôr do sol gigante ou um céu estrelado.
Este ano, por qualquer incrível coincidência cósmica, todos os festivais de música mais mediáticos e outros concertos por aí, são ao meu gosto. Tenho vontade de ir e de levar a minha cara-metade comigo para ouvir também, depois irmos beber um copo ao Bairro Alto e voltarmos para casa sentindo o calor da madrugada entrar pelas janelas que deixámos abertas.
Por causa do tamanho da barriga, não fui ver Bebel Gilberto. Agora, por causa das mamadas não vou ver o Jack Johnson amanhã, mais uma vez vou falhar Jamiroquai e Ben Harper, não vou aos Duran Duran nem aos Mesa no SBSR, nem vou conseguir ir ver os Sex Pistols nem Thievery Corporation a Paredes de Coura.

C'est une INJUSTICE!!!!!!!!!!!!

22/06/2008

O Outro Biscoito


O Pedro nasceu há uma semana e é parecido comigo!
Tem sido engraçado observá-lo. As diferenças entre os dois Biscoitos são abismais.
Enquanto o Biscoito chorava desalmadamente e mamava este mundo e o outro, o Outro Biscoito parece satisfeito com a vida e consigo próprio, olhando-me de alto a baixo e dando estalidos com a língua. A grande vantagem de ter um segundo filho é não repetirmos os erros do primeiro.
- Desta vez, a chucha vai ser usada, para evitar as mini-mamadas para ajudar nos gases, que por sua vez provocam mais gases e o ciclo nunca tem fim;
- Os bebés não têm nada de ser deixados chorar, foram feitos para andar ao colo sempre que possível e não se estragam nada com mimos. Se eu pensei ter dado colo bastante ao Biscoito (contra todas as advertências de avós e pais extremosos), acho que ainda posso dar mais ao Outro Biscoito. Já de si mais calmo, vai ser um paz d'alma com tanto colo e mimo na hora de deitar.
Entre os dois nascimentos, que foram completamente diferentes um do outro, existem algumas coincidências engraçadas. Ambos os partos começaram com o romper das àguas e de ambos saí das maternidades com menos dez quilos. O Biscoito nasceu a 14-04 às 14:34, quarto 4 e cama 2, e o Outro Biscoito a 16-06 às 18:36, quarto 2 e cama 4. Mais, todos fazemos anos com dois meses de diferença uns dos outros: 14-04; 16-06; 19-08 e 15-10. Giro, não?
Não sei se é por ser mãe de segunda viagem (não pode ser só por isso) mas está tudo a ser francamente mais fácil. Estou até feliz e descansada, e aborrece-me de morte não passar as manhãs na rua, nem conseguir guiar para onde me apetece, nem ir à praia com o Biscoito.
Sexta-feira fui ao supermercado e fui buscar o Biscoito ao infantário. Como já não tenho barriga a atrapalhar, entusiasmei-me e passei dois dias a queixar-me com dores.
A primeira coisa que o Biscoito disse quando me viu foi: "O bebé saíu, agora já há colo!" e saltou-me imediatamente para cima num abraço bem forte. Só depois foi ver o mano. Ai que bom que é ter o meu corpo de volta!

04/06/2008

Barriga


Ela não sabe, mas os desenhos que ela faz são todos lindos e muitas vezes eu também lá apareço. Como neste aqui.
Adoro.

Le charme discret de la bourgeoisie

(falta aqui a foto)
Fomos ao Planetário no sábado com o Bias e o Biscoito.
Há qualquer coisa de tremendamente burguês em celebrar datas importantes na véspera. Como a Consoada ou o Santo António. Ainda bem que fomos no sábado, senão domingo tínhamos decerto tropeçado na selecção nacional e não haveríamos de ter conseguido mesa para lanchar.
Há também qualquer coisa de tremendamente burguês em comer ao balcão, nos snack-bares tão seventies que teimam em manter a ementa cavalar e doze omeletes diferentes só na lista dos pratos ligeiros, porque na lista dos pratos fortes há outras tantas.
Há qualquer coisa de tremendamente burguês em jantar depois das dez da noite, mesmo que os preços sejam inflaccionados, em beber uma cerveja sem àlcool gelada e descobrir que a minha barriga de muito grávida cabe à justa no espaço entre o banco giratório e o balcão.
Há qualquer coisa de tremendamente burguês em aproveitar o facto de o Biscoito estar a dormir em casa dos avós para passearmos de mão dada pelas avenidas novas até quase à meia noite e depois dormir até mais tarde.
Tenho saudades do tempo em que era só eu. Mas só de vez em quando.

23/05/2008

Conversas do quotidiano

rfk diz:
está tudo bem disposto por essas bandas?
Fi diz:
o teu filho está a ter uma overdose de desenhos animados
Fi diz:
acho que já não estou capaz de ficar sozinha com ele sem recorrer aos desenhos animados...
rfk diz:
em casa é complicado porque ele não quer fazer nada
rfk diz:
e se quer requer que vás para o chão
Fi diz:
pois não
Fi diz:
não quer saír, não quer fazer desenhos, não quer ler histórias, só quer desenhos animados
rfk diz:
depois fica com um ar vegetal como ficou quinta de manhã
Fi diz:
e eu, sempre meio-dormente do cérebro como estou, faço-lhe a vontade porque quero é ir estender-me na cama e que o mundo me deixe em paz
rfk diz:
já te vou salvar
rfk diz:
45 min e estou em casa
rfk diz:
até já beijocas
Fi diz:
okis

20/05/2008

Sopa de Peixe

(olha aqui a foto que falta)

Há coisas assim. De repente, dou de caras com um qualquer prato que me dá a volta às papilas gustativas.
Como a mousse de chocolate do restaurante na rua por trás da Unicef aqui em Lisboa, ou o bitoque do lombo de Alcabideche, ou as migas de espargos do restaurante no terminal rodoviário de Arraiolos, ou as sardinhas de fim de agosto do restaurante junto ao castelo de Sines, ou a sopa de peixe no mercado de Portimão.
Sou capaz de esperar um ano inteiro pela oportunidade de sentir novamente esses sabores saltitarem-me no palato sem nunca o provar noutro lado (excepto o bitoque, ou não fosse eu alfacinha de gema) - porque em tal sítio é que é bom.
Pois aconteceu. Era inevitável, de tão prendada cozinheira me tenho tornado. A verdade é que apesar de o peixe não ser o mesmo, o sabor é absolutamente inesquecível, e fi-la eu na minha cozinha.
Então é assim: tome-se a maior panela que houver na cozinha e faça-se um refogado decente com azeite, louro, cebola, alho e pimentos, tudo miúdinho; despeje-se polpa de tomate e caldo de marisco simples; junte-se três ou quatro vezes a medida do caldo de marisco em caldo rico de peixe e mais as massinhas-cotovelo; depois meta-se o peixe quase no fim da cozedura, com os temperos rectificados, juntem-se os camarões, os mexilhões e os coentros.
Bom apetite!

13/05/2008

Ai

Juro que o miúdo vai nascer a qualquer momento, de tanta cabeçada que dá lá em baixo.

08/05/2008

Quase-Mãe-Outra-Vez

E ainda me sinto tão filha...
Por isso ando sempre com o telemóvel junto a mim para ligar à minha mãe
-não vá ter alguma contracção mais regular;
- não vá perder o rolhão mucoso algures por aí;
- não vá desatar a escorrer-me àgua pelas pernas;
porque a minha mãe está sempre disponível para me ir levar-buscar-trazer ao hospital e levar-trazer-buscar o Biscoito à escola e a casa dela e à minha e porque é a única que sabe perfeitamente quais são as roupinhas para o Outro Biscoito vestir mal acabe de nascer, sem nunca sequer ter visto o que é que eu pus na mala da maternidade.
Não é maldade, mas a minha cara-metade nem sempre me pode atender o telefone e nem sempre vai de carro para o emprego.
A minha mãe é simplesmente mais rápida.

04/05/2008

Domingo de Mãe



Apesar de não me lembrar de alguma vez ter ido a correr comprar um presente para a minha mãe só porque era dia da mãe, lembro-me de lhe fazer presentes na escola e de lhe levar o pequeno almoço à cama - normalmente torradas queimadas e leite sem café, que ela agradecia encarecidamente e fingia comer enquanto eu e a minha irmã víamos desenhos animados.
Nunca me senti obrigada a ter de passar o dia com a minha mãe, e muito menos comprar-lhe um presente. As decorações das montras e os anúncios alusivos à data, tal como os do dia do pai, passam-me ao lado.
Agora derreto-me com os presentes que o Biscoito faz na escola para me oferecer e mal consigo esperar para que o Outro Biscoito comece também a fazer pequenas maravilhas que só eu acho perfeitas e absolutamente preciosas.
Por falar nisso, e já que vou jantar a casa da minha sogra (porque o meu mais-que-tudo se sente nessas obrigações todas) vou ligar à minha mãe.

28/04/2008

Douro


Há mais de dez anos, apanhei este mesmo combóio para ir ver umas gravuras que não sabiam nadar. Por causa do calor, abri as portas e sentei-me nos degraus a ver o rio a passar e sentir o vento quente na cara. Este fim de semana, da outra margem do rio, também abri a janela do carro para ver o rio a passar e sentir o vento quente na cara.
Desta vez, também o meu filho abriu a janela do carro com o mesmo propósito e eu pensava se daqui a mais ou menos dez anos ele não faria o mesmo que eu, de apanhar este mesmo combóio e sentar-se nos degraus da porta a ver o rio a passar e sentir o vento quente na cara.
Ver o Douro ao pôr-do-sol num abril quente quente e sonhar com o regresso em setembro, com mais um filho ao colo, as àguas do rio, as vinhas nos montes e um silêncio interior de quem de repente, se apercebe de que o tempo passa, as àguas passam, o combóio e os barcos passam, mas cá dentro, no silêncio de nós, somos sempre daquela idade de nos maravilharmos com tudo e acharmos tudo sempre tão perfeito.
E enquanto um filhote ía "tabalhare" com galinhas e cães e pinhas a fazer de bola, os pais íam namorar e sonhar em largar tudo para ir viver ali para ao pé do rio, talvez um dia nos tornemos vinhateiros, quem sabe, era bom para os miúdos, olha que bonito ali ao fundo aquela curva do rio, as cerejas e as laranjas, temos de cá vir mais vezes, que bem que se está no campo...

...que bom que é estares aqui comigo, estarmos aqui todos.

14/04/2008

3


...foi a conta que Deus fez! Como crescem estes miúdos...

Parabéns ao Biscoito nesta data querida, que recebeu um combóio novo logo pela manhã e um bolo com velas para levar para a escola;

e parabéns a mim só porque sim. Pim!

05/04/2008

02/04/2008

Flores flores e mais amores


A Primavera chegou em força. Para celebrar, enfeitei as cortinas com braçadeiras (que não tinham), simplesmente porque tropecei nelas por acaso e - surpresa das surpresas - eram perfeitas para as cortinas da sala.

Também para celebrar, arrumei as botas e passei directamente para as sandálias. Em casa, já ando descalça e os vestidos estão mais à mão. Talvez este fim de semana vá à praia.

24/03/2008

O Coelhinho da Páscoa


Por aqui ainda é Páscoa, e dos ovinhos que o Biscoito andou ontem a procurar pela neve, nao sobrou lá grande coisa. A avó e o tio ajudaram a comer os chocolates.

Desde que chegámos, o miúdo deve ter crescido uns dois centímetros. Talvez seja das caminhadas na floresta à caca de lobos e de leoes. Por mim, entretenho-me a apanhar flocos de neve com a língua ou a deixar pegadas no jardim enquanto o café nao está pronto.

Acho que me fazia falta cá vir. Às vezes é bom saír de casa e ter saudades. Enquanto nao adormeco, fico deitada com o Biscoito enroscado em mim a ouvir os flocos de neve a bater nas janelas da mansarda. Enquanto um filho dorme descansado, o outro aproveita para dar cambalhotas.


(O Biscoito anda a tirar fotografias cada vez melhores)
Ontem chorei um bocadinho com saudades. É bom saber que chegas já depois de amanha.

17/03/2008

Domingão, segunda-feira

Passámos o domingo a ver o Biscoito correr Belém de lés a lés. Com um pastel de nata especial pelo meio, vimos violinhos, barcos pirata, índios e cavaleiros. Grande domingo!
Por alguma razão que me escapa, o Biscoito teima em não querer entrar na antiga sala e arrasta-me escada acima para ir ter com os meninos de três anos. Hoje percebi finalmente porquê: na antiga sala amontoam-se miúdos ranhosos e choramingas, com uma televisão ligada nuns desenhos horrorosos e com o volume bem mais alto do que seria de esperar.
Só hoje é que me apercebi que isto tem sido assim desde o princípio do ano lectivo. Por isso é que o rapaz estava a tornar-se nervoso. Por isso é que deixámos de ver televisão durante a semana. Na verdade, os efeitos notaram-se quase imediatamente. Persistem, tanto mais que ele adora a educadora da sala dos três anos. Eu também, diga-se, só queria lá ter passado a manhã.
Hoje vou falar com a directora, sem falta. Alguém tem de tirar aquela televisão dali. Ou pelo menos desligar-lhe o som.

14/03/2008

Homem do deserto


Às vezes apetece-me voltar para o deserto. Podia escrever aqui uma dissertação enorme sobre as maravilhosas recordações que tenho das areias do deserto, mas não me apetece.
Antes, olho para o Biscoito mascarado de guerreiro azul e a fazer cara de mau antes de me acertar com a espada do cavaleiro bem no meio da testa e quase sinto o vento a soprar areia por cima das dunas.
Tenho saudades de viajar para fora da Europa. Quero ter outra lua-de-mel!
(cala-te, mulher, que para a semana vais à Alemanha pintar ovinhos e comer chocolates.)

09/03/2008

B.I.


O Biscoito já tem Bilhete de Identidade. Já é um homem.
Por causa disso, fizemos uma festa com as avós. Para ele, qualquer festa tem de ter bolo. Por isso, toca de bater as claras e derreter chocolate, que este era um dia especial.
O meu filhote já é um cidadão com impressão digital e tudo. Só não sabe assinar.

04/03/2008

Estou


demasiado grávida.
Por isso não ligo tanto a certas coisas, mas outras dão-me comichão.

A temática é idêntica à de muitas outras mães bloguistas - a televisão no infantário. Porque raio hão-de as mães pagar para terem os filhos a ver desenhos animados? Porque raio interdito eu a televisão durante a semana, para ter o miúdo a ver desenhos animados o dia todo quando devia estar a dançar, pular ou ouvir histórias? Que é para isso mesmo que eu lhes pago.
Outro dia, durante a baixa por doença da educadora, os miúdos estavam a ver uma telenovela qualquer. Pois, ninguém estava a ver, então porque é que estava ligada, perguntei. Encolheram-se ombros, sorriu-se timidamente e eu lá peguei no miúdo e me fui embora.
Alguma coisa se deve ter passado, porque uns dias depois ligou-me a directora a informar que a classe do Biscoito ía passar para o andar de cima, para o jardim infantil, e que haviam trocado de auxiliares, mas a educadora mantinha-se igual. Por mim tudo bem, melhor ainda.
A verdade é que agora, os meninos não têm televisão. O Biscoito foge para a sala dos meninos de três anos e fica-se por lá a dançar ao som de Air e Quebra-Nozes em vez de ver desenhos animados. Que é para isso mesmo que eu lhes pago.

30/01/2008

O bebé cai


O Biscoito tem vindo a aprender sem pudores os factos da vida.
Sabe que os meninos têm pilinha e as meninas pipi.
Que todos temos maminhas, mas que as das mães são grandes.

Sabe que os bebés crescem nas barrigas das mães.
Para que nunca pense que veio de cegonha no último expresso de Paris, já tratámos de lhe explicar que os bebés são feitos pelas mães e pelos pais, que o mano cresce na barriga da mãe e que quando estiver grande sai cá para fora.

Ele diz que o bebé cai - pum - e faz uáá uáá.
Já lhe tentei explicar que o bebé não cai coisa nenhuma, que a mamã segura nele antes de bater com a cabeça no chão, mas parece-me que o Biscoito acha muito mais divertida a ideia de um bebé a chorar porque caíu.

A minha mãe ensinou-me tudo o que eu precisava de saber através deste livro (Peter MAYLE, De onde viemos?; ed. Mosaico; São Paulo, 1973), e mais de vinte anos depois, ensino eu ao meu filho.
Há livros assim, como o
Dr. Spock, A Menina do Mar, ou as 365 Histórias de Encantar, que atravessam reedições e gerações.

Na ecografia tinha três pernas, logo...


...é rapaz!
E é adorável que o seja.
Primeiro dois rapazes, para poupar nas roupas e nos brinquedos, mais tarde uma menina para mimar e pôr laçarotes nas trancinhas.
Como a minha irmã diz, daqui a dez anos tens uma menina e podes estar descansada, porque os irmãos só a vão deixar namorar quando fizer vinte anos. Parece-me bem.
Agora pergunto-me que nome terá. Será Miguel ou Pedro? Henrique, João ou Rafael? Entretanto o Biscoito diverte-se a desenhar bebés de todas as cores na minha barriga.
Por enquanto, refreamos a fúria consumista porque já temos o enchoval do Biscoito. Melhoramos de um lado e pomos discretamente de parte o que não gostamos, não serviu ou nunca foi usado.
E o pano (sling) vai continuar azul.

23/01/2008

09/01/2008

Resoluções de Ano Novo

Apesar de já estarmos na terceira semana do ano (isso se os meus cálculos não me falham, porque ainda não comprei uma agenda nova), as surpresas continuam.
A minha grande resolução de ano novo, sussurrada debaixo do edredon logo na manhã do primeiro dia foi ser mais paciente e aceitar a minha condição de mãe-desempregada-dona-de-casa-grávida-e-que-nunca-termina-os-seus-projectos. Dito assim em voz alta, a coisa começa a ter forma e conseguimos andar para a frente.
Eu não gosto de ser dona de casa, mas também não tenho emprego e a gravidez não ajuda à situação; logo, o melhor é aproveitar estas férias forçadas da melhor maneira e mentalizar-me que também posso ser feliz assim. Posto isto, tenho aproveitado realmente ao máximo.
Já comprei roupa de grávida decente nos saldos, já fui ver a colecção Hermitage, que deixa imenso a desejar mas com a qual já aprendi coisas novas e vontade de começara ler A filha de Rasputine; já fui ver A Bússula Dourada e como consequência, já descobri mais três livros para ler; estou quase a terminar o último livro do Maurice Druon e muito indecisa entre começar pela tradução do último Harry Potter, que eu já li no original, ou pelo primeiro das Brumas de Avalon. Depois tenho de escolher entre visitar o MNA ou o MNAA durante a semana e decidir qual vai ser deixado para domingo. A vida é feita de escolhas difíceis...
Outra resolução de ano novo afectou directamente o Biscoito. Depois da overdose de desenhos animados durante as férias de Natal, desligámos a televisão durante a semana. É brutal, mas já se notam os seus efeitos. Nele, que se entretém sozinho a imaginar batalhas navais com piratas, baleias e leões, que já sabe mais letras do alfabeto e hoje descobriu a subtil diferença entre amarelo e cor-de-laranja. Em mim, que fiquei de repente com mais paciência para ele e até me tornei uma mestre em plasticina e origami. Só vantagens.
Agora as surpresas. O Continente comprou o Carrefour. Foi uma desilusão, confesso, porque para mim, hipermercado=Carrefour. Podia comprar coisas de marca branca e achá-las o máximo, porque vinham em francês, tipo petits pois de campagne ou moutarde a l'ancienne, não se pagava o estacionamento e até tinha quase nove euros acumulados no cartão. Agora tenho de diversificar ainda mais. Hoje fui trocar o cartão por um vale de desconto e comprar as últimas garrafas de jus miltivitamines e de compote de pommes alegée. Não gosto do Continente, é caro e reles e detesto o logótipo. Felizmente vivemos em democracia e eu posso passar-me para a concorrência sem problemas de consciência e ir mais vezes à mercearia da esquina que agora já tem leite do dia.

Outra surpresa, afinal não tenho nenhuma infecção renal assintomática, a enfermeira é que é positivamente estúpida. E ainda tem a lata de se queixar que "os paciente chegam atrasados, o que é que se há-de fazer" quando eu cheguei duas horas antes da consulta para poder ter tempo de passar por ela e de saber que só engordei um quilinho pequenino durante os desvarios gastronómicos da saison.
Ahhh, respirar fundo, que o ano é novinho em folha.