23/07/2007

Dois longos anos de noivado



Estive quase quase a convencer toda a gente a ir para o Algarve só no sábado de manhã, para poder ir buscar o Harry Potter à meia noite em ponto na livraria do costume, mas lembrei-me de procurar uma lá em baixo e reservar por telefone, e assim pudémos ir todos jantar a uma latitude mais a sul. Mais compostos e com um quase escaldão nos ombros de um sábado inteiro na praia, lá fui a saltitar até à livraria (o meu homem veio atrás, discretamente) para resgatar o meu mais-que-precioso exemplar das garras do pó das estantes malditas dos armazéns das livrarias, direitinho para os meus braços. Ah, que bom é ter um livro novinho em folha, principalmente um que esperamos há dois anos! Ainda me lembro do último, em que o meu querido homem apareceu em casa à meia noite e meia do dia do meu aniversário com um exmplar novinho em folha - do qual eu já tinha lido a versão original no Verão que ele gentilmente sacara da net. Adiante. Depois hei-de comprar a versão em português com a capa infantil, e se algum dia me lembrar, hei-de ir a uma feira do livro comprar as edições que me faltam, em ambas as versões para os meus filhos lerem tudo de uma ponta à outra. Porque livros nunca são de mais.
E estamos oficialmente noivos. Para comemorar fomos almoçar um bitoque com tudo o que temos direito e uma travessa extra de salada mista. Estou cheia. O noivado começa farto.

17/07/2007

Emprego chato

Eu tenho um emprego muito chato. O meu emprego é isso mesmo: um emprego. Passo o dia inteiro sem fazer nada de útil, e quando finalmente tenho alguma coisa para fazer, raramente gosto do que faço. Eu tenho um emprego mesmo muito chato. Mas sou bem tratada, tenho um salário superior ao correspondente para as minhas funções efectivas e - maravilha das maravilhas - um contrato de trabalho. Há cerca de dois meses passei-me da cabeça e resolvi que não aguentava mais. E é verdade, comecei a ter reacções físicas ao meu ambiente de trabalho. Dores de cabeça, náuseas e tonturas. Entrei em estado depressivo. Vieram falar comigo, que assim não estavam interessados em continuar a relação profissional. Pois eu também não. Estava farta e a embrutecer. O meu cérebro congelou no momento em que entrei para a empresa. O melhor era rescindir o contrato. E assim estamos à espera que tal aconteça. Que me liberte finalmente deste emprego chato que não me leva a lado nenhum. Ponderei os prós e os contras, e o único contra é a falta de dinheiro. Tudo o resto são prós. Talvez seja mais feliz num trabalho que tenha (mesmo que remotamente) algo a ver com o que eu estudei. E numa outra empresa, maior e mais competitiva, mais hipóteses de desenvolver as minhas capacidades intelectuais. Espero eu. É preciso é ter fé e andar para a frente.

16/07/2007

13/07/2007

Um livro para mim, outro para ti, outro para quem o quiser apanhar



Eu tenho muitos livros. Tenho tantos, que muitos deles já nem estão cá em casa. Um dia alguém me perguntou se já os tinha lido todos. Não, já devo ter lido o triplo. Se contarmos com os livros das bibliotecas e com os meus livros que ainda se passeiam pelas estantes da casa da minha mãe, então seriam muitos mais. Bom, talvez nem tantos, porque muitos deles são mesmo da minha mãe. É que ela também gosta e ler e não dispensa o prazer de os ver arrumadinhos por autores em ordem alfabética, os romances em cima, as enciclopédias geográficas em baixo junto aos belos livros de viagens que vem coleccionando desde há anos. Pelo meio, e porque as prateleiras são profundas, coloca molduras com os nossos retratos, porcelanas centenárias, ovos de avestruz e cabeças de pretos em madeiras mais ou menos preciosas.
Eu, como só tenho uma estante e além do mais tenho um filho pequeno que anda a treinar para ser explorador, não tenho tantas preciosidades. Os meus tesouros são menos preciosos, porque ainda não viajei tanto quanto a minha mãe, e porque têm de caber todos dentro de um saco, para se poderem mudar facilmente de uma casa para outra, que nós ainda somos novos e nómadas.
Isto para dizer que tenho muitos livros. Mas não tantos quanto gostaria. Ora porque ainda estou a ler outro, ora por outra razão qualquer, a verdade é que gostava de ter muitos mais. Imensos. Tropeçar neles quando acordasse, ter de afastar uma pilha de livros para chegar à torradeira, sentar o Biscoito num dicionário para chegar melhor à mesa e, máximo dos máximos, ter uma estante na casa de banho com livros dedicados ao bem-estar. Ultimamente tem-me acontecido algo parecido, mas por causa do Biscoito. desde que nasceu, que lhe ofereço livros. E brinquedos de madeira, mas isso é outra história. Para a idade dele ou não, ofereço-lhe todos os que posso. É que eu adoro livros infantis, de preferência com muitos desenhos bonitos e coloridos, que sejam agradáveis ao olhar e descomplicados. Muitas vezes, quando lhe estou a contar a tória antes de deitar, reparo que os olhos do Biscoito se passeiam com muita atenção pelos desenhos. E imagino-me criança, ao colo da vovó ou do papá a ouvir aventuras sem fim e a perder-me nos desenhos maravilhosos. A educadora do Biscoito diz que ele é o único que se senta sozinho a ler e a promessa de ouvir uma história garante-nos uma separação sem choros no infantário. É que eu adoro ler, e o meu filho adora ouvir, bem encostados um ao outro, numa cumplicidade que compensa um dia inteiro afastados. E que desculpa o tropeçar nos livros dele (e às vezes nos meus) pela manhã.

03/07/2007

Clic!


O orgulho de qualquer mãe. Daqui a uns anos vai ser repórter da Magnum. Ou da NG. Ou o digno sucessor do Avedon. Mas por enquanto ficou com um dedo à frente.

Esta é a primeira (e até agora única) fotografia que o Biscoito tirou. Vou chamar-lhe " Retrato da minha mãe numa tarde de sol". Daqui a uns anos pergunto-lhe se quer mudar o nome da obra de arte.
A vontade do artista é sempre volátil.

02/07/2007

Nós gostamos mais do Verão


porque temos amoras sumarentas para comer ao lanche, sentados no tapete da cozinha a ouvir o calor entrar pela porta escancarada

e pêssegos doces e alperces perfumados para comer à sobremesa.