25/12/2011

Feliz Natal


A paz reina nesta casa.
Sim, estamos em paz. Parece que uma nuvem de calma aterrou nas nossas cabeças.
O Biscoito anda de patins pela casa toda e o Outro Biscoito tem carrinhos e combóios em todos os bolsos. O Novo Biscoito só acorda para comer e até a Sutra está de ronha. O marido come uma broa ou uma rabanada de cada vez que passa pela mesa e eu dei-me ao luxo de comer várias colheres de cada doce com o café. Tudo isto nos intervalos das sestas.
Escapámos airosamente ao almoço de Natal em família com a desculpa de termos tido todas as gerações cá em casa para a Consoada e passámos o dia em pijama a tropeçar em papel de embrulho que íamos amontoando na cozinha (com passagens obrigatórias pela mesa...ahem)

18/12/2011

Fotos

E mais uma vez, o meu telemovel decidiu apagar sozinhos todas as fotografias do João.

13/12/2011

Des-gravidez

A minha terceira (e última) gravidez terminou oficialmente hoje.
Agora já pago taxas moderadoras inflacionadas.
Quer-me parecer que ainda tentaremos a menina...

06/12/2011

Factos surpreendentes, inexplicáveis e absolutamente infalíveis na vida de uma mãe (ou as leis de Murphy da maternidade recente)

Facto nº1
O filho recém-nascido chora sempre quando a mãe tem de ir à casa de banho
Facto nº2
O telefone no lado oposto da casa toca sempre quando a mãe está sentada na casa de banho a embalar o filho recém-nascido que chora
Facto nº3
As hemorróidas dóem muito mais quando a mãe está sentada na casa de banho a embalar o filho recém-nascido que chora
Facto nº4
Nunca há papel higiénico quando a mãe está sentada na casa de banho a embalar o filho recém-nascido que chora

Uma mãe de três rapazes já devia saber isto

02/12/2011

O Tannenbaum (ó àrvore de Natal)


A àrvore de Natal mais bonita do mundo era a da mãe da minha madrasta, um pinheiro verdadeiro decorado com bolas e pássaros de vidro colorido, corações gigantes de bolacha de gengibre e velas a sério. Mais para o fim da noite, um dos corações de gengibre seria para mim.
Eu sempre sonhei ter uma àrvore de Natal grande e com ramos farfalhudos, ao contrário das minúsculas que sempre tive por as casas serem tão pequenas. Talvez por eu estar quase a parir o terceiro e último filho, o meu homem aceitou e lá me trouxe uma àrvore de Natal tal como eu pedira, com pinhas e tudo. Pois foi neste feriado que montámos o bicho (mais uma tradição para a lista).
O Biscoito veio ter comigo ao quarto a perguntar quando é que montávamos a àrvore de Natal umas duas ou três vezes. Ainda o ouvi aos pinotes pelo corredor fora, mas adormeci com o Novo Biscoito acoplado, os dois abraçados debaixo do edredon de penas. Quando finalmente me consegui levantar para ir buscar um café à cozinha, fui obrigada a saltar-pocinhas pelos ramos de pinheiro amontoados pelo chão da sala. Confesso que sorri ao ver dois piolhos  biscoitos elétricos aos saltos a ajudar um pai meio zombie a montar os ramos nos sítios certos. Depois os rapazes caíram para o lado e aí entrei eu em cena.
Fiquei com uma tendinite de tanto esticar o braço para pendurar decorações, mas valeu bem a pena. Está quase perfeita e é mesmo a àrvore de Natal mais bonita que alguma vez tivémos.

18/11/2011

Toque de recolher obrigatório

Um filho com um ataque de asma inexplicável, outro com o pavio incrivelmente curto. Só o mais novo é um come-dorme-paz-d'alma que me faz pensar seriamente em manter a fertilidade cá em casa intacta...
Devaneios maternais aparte, a grande prova de fogo foi ontem - o pai voltou a trabalhar até tarde e a minha mãe teve de ir dar assistência a outra freguesia. Incrivelmente, tudo correu bem. O Biscoito não tinha trabalhos de casa e o jantar estava praticamente feito, ainda consegui jogar ás cartas com o Outro Biscoito e ver um ovo de dragão a chocar no jogo do Biscoito, sempre com o Novo Biscoito acoplado. Meteram-se na cama mais ou menos voluntariamente e ainda contei a história do urso, mas o Biscoito adormeceu a meio da terceira página e o Outro Biscoito ficou na cama a alinhar carrinhos no lençol. O pai entretanto chegou, o Outro Biscoito saltou da cama e em vez de pôr a fralda no Novo Biscoito, ficou a vê-lo fazer xixi no sofá e nas roupas todas à volta.
A minha mãe diz que teu tenho de comandar as tropas como um general implacável, marido inclusive. Relembra-me vezes sem conta o irmão dela, militar e pai de três rapazese uma rapariga, todos tratados como na recruta, criados com panelões de sopa de entulho, favas, feijoada e carne de porco com batatas. Suave mas firme, sempre disse o meu pai. Pois parece que funciona.

14/11/2011

Amamentar

Foi preciso esperar pelo terceiro filho para ver os meus mamilos completamente trucidados. Estão em carne viva. Qualquer coisa se passa, independentemente da posição em que o Novo Biscoito mame, que faz com que um nervo muito específico doa horrores e me faça chorar, de forma que tenho de lhe dar sempre da mesma maminha e deixar a outra encher-se de leite e encaroçar sem ter como a esvaziar decentemente.
Hoje fomos a correr às duas farmácias mais próximas para descobrir que só há mamilos de silicone tamanho small e large e que os tamanhos variam de marca para marca, bem como os preços. Agora estou à espera que o Novo Boscoito acorde para ver se as coisa funciona. Espero que sim, senão tenho aqui um problema sério...
Para adicionar à festa, o Biscoito está com uma tosse de cão e ficou o dia em casa a vomitar.

08/11/2011

O João nasceu e é lindo!

Mais um biscoitinho absolutamente perfeito na família.

Agora que a família está mesmo completa (está, não está?) e os pesarosos meses da gravidez passaram definitivamente, voltámos para casa. Preciso de me adaptar rapidamente a esta nova rotina e tentar funcionar o melhor possível com um défice de sono impressionante.
Os miudos e sobretudo o marido precisam de entender que a mãe está de volta e que já se consegue mexer. O regime autoritário tem de voltar a ser instaurado, para bem de todos. Miúdos a deitarem-se depois das onze em dias de aulas, gingajogas electrónicas em regime aberto, desenhos animados a toda a hora e trabalhos de casa por terminar, rapazes, isso já era. A anarquia é boa ao fim de semana, durante a semana a sociedade espera mais de nós.
O anúncio da transição para o regime anterior não foi pacífico. Foi violento mesmo. Chorou-se muito, mas felizmente o final foi até feliz. Devia ter tomado um analgésico assim que me comecei a enervar, coisa que só consegui fazer esta manhã. As dores dão cabo de mim. Se no hospital, só queria vir para casa, agora só me apetece voltar. O meu pai chamou a este estado de espírito baby blues, eu chamei-lhe dar de frente com a bagunça total em que o meu querido marido tem vivido no último mês. Depois receitou-me um analgésico antes de desligar e me desejar boa sorte.
Isto não vai ser fácil.

26/10/2011

Here comes the sun


Ontem fui ao hospital e os médicos dizem que o João está pronto para nascer. Eu estou pronta para ele nascer. Eu estou pronta para ver o sorriso iluminado do meu filho recém nascido junto ao meu peito. O meu sol de inverno, o meu filho João.

Dois filmes a não perder:
George Harrison: Living in the Material World
The Tree of Life

19/10/2011

Violência escolar

Sabemos que alguma coisa está profundamente errada quando o nosso filho de seis anos nos responde "o dia de hoje não me correu lá muito bem" e se deixa ficar no nosso abraço.
Por sabermos isso mesmo, fizémos um cerco à professora, espiámos o filho no recreio e queixámo-nos a toda a gente. Parece que a coisa resultou. Até ver.

14/10/2011

Nós gostamos é das vésperas dos dias especiais

E sabendo isso mesmo, foi precisamente nas vésperas do meu dia de anos que tivemos finalmente os candeeiros no tecto e, maravilha das maravilhas, a Elisa limpou a casa toda.
Aproveitei a tarde para adiantar tudo para o lanche de amanhã, a saber:
- mousse de chocolate
- bolo de aniversário (a cobertura faz-se amanhã)
- folhados de salsicha
- tarte de maçã
- doce de pêssego
- quiche lorraine
Faltam as sandes e as frutas, mais o jantar para quem ficar.
Agora vou-me deitar um pouco que já vejo estrelas só com as dores de costas e as contrações.

04/10/2011

Zoologia

Ontem veio com a conversa dos vampiros. Queria saber quantas espécies de vampiros existiam no mundo. Duas ou três, respondi eu. Se mordiam muito e onde é que eles estavam. Que não, que eram morcegos e que se alimentavam de sangue de outros animais e que as vacas e as cabras nem sentiam e que também havia espécies de morcegos que só comiam fruta.
- E morcegos dos legumes?
Estou a ver... mas era mesmo só uma dedução lógica.
A seguir perguntou pelas asas e ao ver uma na net perguntou se eram dinossauros. Que não, que eram mamíferos, uma espécie de raposas com membranas interdigitais e que planavam. Disse que pareciam dinossauros. São parecidos sim, mas os morecegos são mamíferos e a coisa mais parecida com dinossauros que podemos encontrar agora são as aves, as asas sáo iguais mas são cobertas de penas em vez de pêlos.
Para quem não sabe e quer ficar a saber, eis a lista de todos os dinossauros conhecidos :
http://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_dinossauros
Promete-se uma  noite com um filho de olhos esbugalhados perante tamanha sapiência parental.

22/09/2011

Nem um abraço, nem uma olhar cúmplice, nem uma apalpadela quando nos cruzámos a caminho do caos das oito da manhã. Eu fiz que não me lembrei e que o jantar decente com sobremesa e tudo fora obra do acaso. Tu esperavas fazer o mesmo mas a tua mãe não deixou. A minha santa sogra.

19/09/2011

Regresso às aulas II


O Outro Biscoito no final do primeiro dia de aulas

Depois de tanto esforço da nossa (nós pais) parte, o miúdo acabou por ir parar à antiga escola do Biscoito por falta de vagas na escola junto à casa nova. Desgraça, pensámos, vai partilhar a sala de aula com os cristianos, os vanderleis e os nicolais. Mais um ano sem festa de anos com amiguinhos, que nós não queremos que os pais dos coleguinhas dele saibam onde nós moramos. Reformulo. Não é propriamente dos miúdos que eu tenho medo, é dos pais deles. Os tais que me assaltavam à porta do liceu, me assediavam na paragem do autocarro, vendiam haxixe por trás do campo de futebol e faziam broches aos rapazes. Os tais que agora não têm dentes, estão sempre a ir presos e têm os neurónios queimados, que me entram pela janela de casa para me roubarem telemóveis e máquinas fotográficas, que me chamam nomes no trânsito, que se juntam no vão da porta do prédio em frente a vender drogas a quem passa. É deles que eu tenho medo. Sempre tive, e agora que consegui finalmente vir morar num bairro decente, tenho de lá voltar para levar o meu filho à escola. Medo.
Mas este ano houve um milagre. O mesmo milagre que fez com que o meu filho não tivesse vaga no jardim de infância aqui ao lado, fez com que os novos colegas dele se chamassem João e Manel, David e Jaime, nomes perfeitamente normais, de crianças perfeitamente normais de pais perfeitamente normais. Pais com empregos normais e salários normais que este ano não puderam pagar os colégios privados e não tiveram outro remédio senão inscrever os seus benjamins na escola pública. Menos mal. Menos medo. Mas fiz o pedido de transferência na mesma, recorri ao Sr. Director do agrupamento e entreguei pessoalmente à Sra. Professora responsável pelo jardim de infância. Seja o que Deus quiser que eu já me mentalizei que se não for este ano, pelo menos do outro não passa.
E temos mais um filho todo feliz com a escola nova e todo orgulhoso da mochila com um estojo cheio de lápis de cor.

Regresso às aulas I

O Biscoito no final da primeira manhã de aulas

Passou o final das férias numa excitação imensas. A escola nova, as aulas a sério, os amigos do jardim de infância que haveria de reencontrar, o simples facto de ir a pé para a escola em vez de ir de carro, a mochila com os livros e o aprender finalmente a ler. Uma excitação.
Por outro lado, eu de coração nas mãos, o meu filhinho que vai para uma escola nova, as aulas a sério, será que se vai habituar a estar sentado tanto tempo? (finalmente escola pública com horário completo, no meu tempo não era assim), tantos apertos no coração para depois o encontrar absolutamente histérico porque gostou da professora nova, ficou na mesma turma que o Henrique, olha mãe, o Tomás e o Miguel estão na mesma turma e o Ricardo também está nesta escola, amanhã posso almoçar cá, posso? posso?
Prova superada.

05/08/2011

Ringue de patinagem

A sala é tão grande que os Biscoitos passaram uma hora inteira a andar de trotinete sem chocarem contra nenhum móvel..

04/08/2011

Crise existencial

O Biscoito tem andado a bulliar o Outro Biscoito. Empurra-o, puxa-lhe os calções para baixo, rouba-lhe tudo o que tenha na mão, dá-lhe estaladas de meia-noite, atira-o contra a parede e sobretudo - o que me fez saltar e pregar-lhe um valente açoite no rabo - imobiliza-o no chão e bate-lhe. Normalmente ignoro o mais possível estas demonstrações de força entre filhos, tanto porque tenho mais que fazer e ainda não há sangue à vista nem ossos partidos, tanto porque me sentei há três segundos atrás depois de uma maratona de arrumações que me deixou com contrações demasiado dolorosas para me mexer por qualquer coisa que não seja sangue à vista ou ossos partidos. Desta vez voei de mão em riste e aterrei na nádega direita do Biscoito, que se foi enfiar debaixo do edredão a chorar. Com o Outro Biscoito tratado (tinha acabado de saír do banho) e pronto para ir dormir, achei por bem encetar algum tipo de conversa com o Biscoito, do tipo conversa entre mãe e filho, para tentar perceber o que estava por trás de tanta violência. Com muitos nãos de reposta às minhas perguntas, perguntei-lhe se estava assim porque não gostava do Outro Biscoito, mas felizmente a resposta foi outro não. Foi então que o Outro Biscoito desatou a clamar o seu amor pela família toda até chegar ao "eu goto de ti" para o Biscoito, o qual não aguentou mais e veio chorar para o meu colo, onde o Outro Biscoito se apressou a choramingar também num grande abraço ao Biscoito. A choradeira durou o tempo suficiente para, entre soluços, o rapaz me conseguir explicar que estava era aborrecido de morte e cheio de saudades dos colegas da escola. Compreedi perfeitamente. Tive de lhe explicar que os coleguinhas estavam de férias com os pais deles e que voltavam a ver-se quando as aulas começassem. Expliquei-lhe também que estávamos numa casa nova, que ía para uma escola nova e que iria fazer muitos novos amigos, mas que agora a mamã estava com uma barriga muito grande e muito cansada e que não podia ir com ele a todos os sítios que ele gostava. Podíamos perfeitamente ir todos os dias ao parque para ele brincar com os outros meninos, que de certeza andavam na escola nova. Lá adormeceu agarrado ao urso (só o faz em casos extremos) e eu vim para aqui escrever isto para não me esquecer de ler sempre os meus filhos nas entrelinhas.

26/07/2011

Cozinha nova

Crucifiquem-me, mas eu não gosto da minha cozinha nova. Não gosto do cinzento, não gosto do branco, não gosto dos armários e detesto os puxadores. A pedra da bancada arrepia-me e fico com urticária só de olhar para o exaustor. Cromados por todo o lado. Infelizmente o orçamento não dava para nada mais específico, face à urgência de escavacar as paredes todas para substituir os canos de chumbo que inquinavam a àgua. Refazer a chaminé seria extremamente dispendioso, e foi muito mais fácil substituir tudo por uma cozinha moderna e actual. Sensaborona e desinteressante, digo eu. Desprovida de qualquer resto alma ou folclore.
Não pude ter azulejos setecentistas nem bancada de madeira. Não pude ter um fogão de seis bicos com coluna de fumo a subir pela chaminé de pedra. Não pude ter sequer um chão de tijoleira. Tive de delegar a escolha dos materiais a outra pessoa, porque não tinha tempo de andar a escolher revestimentos. Limitei-me a insistir no "Branco básico e discreto" por temer o pior.
Saíu isto, que está muito bem, tem óptimo aspecto, moderno e tal.
E tal.

27/06/2011

Hoje adoro...

... cozinhar outra vez
... o cheiro dos panados
... a sala gigante da casa nova e como se vai tudo compondo (lentamente)
... a Sutra passar por mim e dar-me uma lambidela assim só
... os Biscoitos a berrar por mim e a pedir a minha ajuda para tudo. Num piscar de olhos vão pedir é a chave do carro
... a brisa fresca que inunda toda a casa depois de uma dia de calor brutal
... o sino da igreja a tocar por cima da mata do morro
... a minha barriga

Não sei porquê, mas hoje não adoro o meu marido.

20/06/2011

Abracadabra

Ficamos então a saber que o tempo que eu demorei a ler um post e o link a que se refere o blog do lado, foi o suficiente para o cão comer o queijo todo e lamber a travessa do atum, quase queimar as lulas na panela que eu deixei cheia de caldo, o mais novo se esquecer do jantar e ir para o sofá observar a sua sempre surpreendente anatomia e o mais velho se agarrar ao comando da televisão e se pôr a ver o Exterminador Implacável. Juro que demorei menos de cinco minutos...

3 foi a conta que deus fez

O Outro Biscoito fez três anos e eu fiz o bolo de aniversário mais espetacular do mundo. Para a escola, como sempre, bolo de maçã, não vá haver algum puto com alergias.
Pelo meio liguei desesperada a alguém que me viesse ajudar (os miúdos estavam a ajudar demais), tive de me deitar por duas vezes e deixei queimar o jantar. Fora isso, correu lindamente. O Outro Biscoito estava histérico à espera de soprar a vela em forma de 3 e tirámos montes de fotografias.

Foi a última comemoração nesta casa, o próximo aniversário na família já vai ser celebrado numa sala onde caberá a família toda. A mesa terà lugar para doze pessoas e ainda sobrará espaço na sala. Dois sofás (perdão, um sofá e uma cama de dia) e, se o orçamento permitir, umas senhorinhas para as avós não se afundarem nas almofadas. A cozinha vai ter espaço para uma mesa e eu sonho com o dia em que se acabem os vai-vens entre a sala e a cozinha, o arredar a mesa para nos sentarmos, as panelas nos bancos e outras soluções mais desenrascadas. Entretanto, afundamo-nos na roupa lavada (a suja já não passa da borda do cesto) e eu faço o possível por ir perdendo coisas durante as limpezas.

O Novo Biscoito já dá pontapés e se põe em posições menos cómodas que me impedem de fazer uma série de coisas. Continuo melhor deitada e de preferência sem barulho à volta, para entrar numa espécie de torpor mental que me faz sentir leve e sem dores. Logo a seguir tenho de me levantar, passear o cão, ir buscar os miúdos, enfiá-los na banheira, fazer o jantar, dar o jantar e cair para o lado.
Como disse, na casa nova o jantar é comido logo ali à mão de semear da panela. Já só temos de limpar uma divisão da casa. Brilhante!

14/06/2011

Junta médica

E os médicos juntaram-se para decidir em tempo recorde que eu continuarei de baixa até ao parto.

31/05/2011

Bordados


Mais uma vez, não vale a pena, desisto. Tricot não é para mim. Atrapalho-me na contagem das malhas e troco-me no ponto das bainhas, fica curto e largo, fica comprido e estreito, faço e desfaço vezes sem conta até a lã se desfiar de tal maneira que se torna imprestável.
Gosto mesmo é de bordar. Para isso, até aprece que tenho mãos de fada. As cores saem tão bem umas com as outras, os padrões tão simples repetidos ad eternum que tornam o conjunto uma delícia para o olhar. Por enquanto em ponto cruz, que o meu cérebro precisa de descansar. Padrões ingleses de mil seiscentos e tal tornam-se pequeninas almofadas de cheiro para oferecer à enorme família neste Natal.
Talvez até consiga fazer a djelabah dos lençóis, com as bainhas todas bordadas, talvez aproveite para bordar também o rolo que hei-de fazer para a camilha.
Como sempre falta aqui a foto, mas juro que não sei onde está o cabo para descarregar as fotos.

30/05/2011

Fada forreta

Caíu outro dente ao Biscoito e ele veio bem cedo mostrar-nos a moeda que a fada deixou.
- Só um euro é pouco!
Forreta a fada.

27/05/2011

Eddie Ukelele Vedder


E agora, a juntar a esta maravilha, o Jack Johnson aparecia aí a um canto e começava a tocar guitarra e o Ben Harper a fazer coro. Os três descalços e a beber vinho tinto directamente da garrafa. Que show...

25/05/2011

Must have

O bolo perfeito para o próximo aniversário aqui.
A ver se é desta que o rapaz tem um bolo de aniversário decente.

Sutra

A Sutra foi operada. Chegámos à pouco do veterinário. A bicha arrastou-se uns dez minutos pela casa a escolher um sítio para descansar e foi deitar-se precisamente atrás da porta da casa de banho. Nunca vi a Sutra tão mansa, tão calma, tão silenciosa. Vou aproveitar a calmaria.

23/05/2011

Fome

Começou a FOME!
A boa notícia é que acabaram os enjôos.

21/05/2011

Sufoco II

Afinal ainda só engordei meio quilo, mas não deixa de parecer meia tonelada. Estive a comparar o registo das gravidezes dos Biscoitos e reparei que de cada gravidez peso mais dez quilos. Dos quase trinta que engordei em cada uma, não me parece assim tão mal quanto isso. A única diferença é que por esta altura, dos outros dois já tinha engordado pelo menos cinco quilos. 
Estou a começar lentamente a parecer grávida em vez de gorda, o que facilita muitíssimo a interação social - prioridades, palavras amáveis, etc. Estou também a começar lentamente a não encontrar posição para guiar. Aposto que daqui a dois meses já não consigo pegar no volante. 
Entretanto fui ao cabeleireiro e cortei o cabelo por cima dos ombros (fiquei com a minha cabeleira reduzida a metade), mas dá muito menos trabalho a pentear, e nesta altura, qualquer poupança de energia é bem vinda.  Também vai dar um jeito imenso quando o bebé nascer, porque eles têm a mania de se agarrar com uma força estrondosa à primeira coisa que lhes aparece à frente (brincos, cabelos, colares). Mas ainda falta tanto tempo...

17/05/2011

Sufoco

O tempo está abafado e a barriga em crescimento atrapalha-me a capacidade dos pulmões. Ainda não está enorme, mas já incomoda. Ando de pernas abertas como se estivesse grávida de nove meses e com a mão a apoiar os rins que doem constantemente. Parece que ainda só engordei um quilo ou coisa assim, mas sinto uma tonelada. Tudo me incomoda e se tenho fome enjôo e se como enjôo e pelo meio enjôo também. Estou farta e ainda agora entrei nos quatro meses. Ainda tenho muito que penar pela frente.  

Quem me dera ter dinheiro suficiente par ser mãe-galinha a tempo inteiro.

12/05/2011

Branco

Alguém que me explique o que é que os empreiteiros têm contra paredes brancas, que eu não consigo perceber!

04/05/2011

The Romance of Isabel Lady Burton

"At the end of a fortnight he stole his arm round my waist, and laid his cheek against mine and asked me, "Could you do anything so sickly as to give up civilization? And if I can get the Consulate of Damascus, will you marry me and go and live there?" He said, "Do not give me an answer now, because it will mean a very serious step for you–no less than giving up your people and all that you are used to, and living the sort of life that Lady Hester Stanhope led. I see the capabilities in you, but you must think it over." I was long silent from emotion; it was just as if the moon had tumbled down and said, "You have cried for me for so long that I have come." But he, who did not know of my long love, thought I was thinking worldly thoughts, and said, "Forgive me; I ought not to have asked so much." At last I found voice, and said, "I do not want to think it over–I have been thinking it over for six years, ever since I first saw you at Boulogne. I have prayed for you every morning and night, I have followed all your career minutely, I have read every word you ever wrote, and I would rather have a crust and a tent with you than be queen of all the world; and so I say now, 'Yes, yes, YES!'" [Page 83]

E foi assim, num dia perfeitamente normal, que tropecei no pedido de casamento dos meus heróis.

Para saber mais:
Sir Richard Francis Burton
Lady Isabel Burton born Arundell
http://www.en.wikipedia.org/

20/04/2011

A grande família e o pequeno orçamento

Volta e meia deparo-me com uma situação algo caricata mas inevitável neste meu orçamento familiar, que é o dinheiro pura e simplesmente acabar antes do final do mês. Aconteceu, ora, hoje. Tenho precisamente 27 cêntimos de euro na carteira e 4 euros e alguns cêntimos na conta do banco. Tenho vegetais e fruta e comida no frigorífico e na despensa, embora me sobrem apenas duas latas de atum e uma lata de salsichas de cocktail.
Acho esta situação caricata porque temos dois carros (com depósitos assim mais para o vazio),
Acho esta situação caricata porque temos as contas todas pagas (este mês não devemos nada a niguém).
Acho esta situação caricata porque vamos comprar uma casa de milhares de euros daqui a uns dias (com dinheiro que pedimos emprestado ao banco e que o banco emprestou).
Acho esta situação caricata porque ambos temos empregos e recebemos mais do que o salário mínimo (mas só o suficiente para sermos excluídos de todos os apoios sociais à família).
Somos os novos pobres, com propriedades (hipotecadas) e bom ar, boa educação e empregos de colarinho branco. Mas sem o dinheiro para o que a nossa educação nos preparou.
Somos a classe média, a pior de todas, a educação e os conhecimentos da classe alta e os rendimentos da classe baixa. E isso custa a engolir. Às vezes mais que outras.



14/04/2011

6 anos de coisas boas


O Biscoito faz hoje seis anos. Está a falar nisso há séculos, tem acordado de noite para contar  os dias que faltam para o aniversário dele, está absolutamente histérico com a ideia de ter seis anos. Acho adorável. Hoje deixei-o a dormir profundamente na minha cama, a respiração maravilhosa de criança feliz (as mães sabem o que isso é), o presente à espera bem escondido.


Ontem explicou-me precisamente como queria o bolo de aniversário, quando queria abrir o presente. Hoje temos massa com almôndegas e molho de tomate para o jantar, o favorito de todos os tempos. O bolo de chocolate com morangos mas sem natas para sobremesa. Lamentamos não haver super-heróis, mas eu não tive tempo de treinar as artes do açúcar. Especificou que quer um bolo alto "assim" (mostrou bem como queria) e fofinho, perfeito.
Hoje tenho muito que fazer. Mas entretanto, terminar o dia de trabalho.

29/03/2011

A bonança depois da tempestade

O Biscoito ajudou-me a descascar os ovos e a desfiar o bacalhau. O Outro Biscoito deu o pão quase todo à Sutra e foi lavando a loiça. Puseram a mesa mais ou menos, comeram a sopa (o Outro Biscoito repetiu) e torceram o nariz à jardineira (eu também, confesso). Levantaram a mesa mais ou menos e viram o resto dos desenhos animados. Tive uma luta de espadachim com o Outro Biscoito, da qual saí gravemente ferida num dedo. O Biscoito andava entretido a enfiar paus de bambu nos orifícios faciais. Não se ouviu um grito, uma guerra, um choro. O marido chegou a casa mais bem disposto.

28/03/2011

Auto de Fé

Guerra aberta à PS3.
Essa consola é o demónio, transforma os meus filhos em seres desprezívies, violentos e egoístas e foi arracada com todos os fios atrás. Estou à espera do momento em que a possa queimar na praça juntamente com os comandos e os jogos.

Os homens estão de mau-humor, eu estou bem, obrigada.

23/03/2011

Selvagens

Diz quem não sabe do que fala que eu estou a criar dois selvagens mal-educados, uns horrores.
Digo eu que sei muito bem, que os Biscoitos são uns selvagens sim senhora e que assim os criei e continuarei a criar.  Uns selvagens que vestem o que querem e andam nus pela casa, comem o que querem à hora que querem, dormem na cama que querem e acham que eu sou muito quentinha, se penduram em mim e nos outros até conseguirem o que querem e berram pela janela para quem os quiser ouvir. Uns selvagens.
Digo eu também que estes selvagens dizem por favor e obrigado, com licença se querem passar e perdão quando arrotam, pedem desculpa e despedem-se com passou-bens e beijinhos consoante o interlocutor. Estes selvagens atiram-se à mãe ou ao pai com beijos e abraços sem razão aparente, choram de saudades dos avós e dão comida e àgua à Sutra e pedem licença para se levantar da mesa e levam o prato para a cozinha.
A boa-educação entranha-se de pequenino.

13/03/2011

08/03/2011

Carnaval

Tenho um Darth Vader e um Dragão à espera que acabe de chover.
Este ano não há corso para ninguém.

28/02/2011

Super Titi

Conversa entre mim e o Pedrinho:

De quem é este carro?
- Da Titi!
Como se chama a Titi?
- Titi!
A Titi chama-se Ana, é a Titi Ana
-Homanhana? (Homem Aranha)
Não, querido, a Titi chama-se Ana
-Titinhana? (Titi Aranha)

Olarelas

Em busca do sofá perfeito


Entrámos agora numa nova fase das nossas vidas: o que fazer com tanto espaço e tão pouco mobiliário.
Resposta possível, encontrar o maior sofá que conseguirmos pagar.

23/02/2011

A mon seul désir


L'Ouïe ou A Audição representa uma dama a tocar música, acompanhada da sua criada, um leão e um unicórnio. Estão num jardim rodeados de plantas, animais e dois estandartes.
Simbolicamente complexo, esta matriz de ponto cruz de um dos painéis de tapeçarias da Dame a la Licorne faz parte de uma série de tapeçarias invocando os sentidos. Repletas de significado e mensagens desconhecidas por nós nos tempos actuais, não podemos deixar de imaginar a importância que tinham para quem as encomendou.
Nós, desprovidos de todo o imaginário contemporâneo às tapeçarias, não podemos deixar de nos maravilhar com o detalhe e a riqueza das peças, sentir-nos envolvidos numa aura mística de lã e seda.
O museu mais bonito que alguma vez visitei.

15/02/2011

14 fevereiro 2011

Ementa

Cocktail
Daiquiri perfumado com folha de menta cristalizada
Prato
Magret de Cannard com redução de vinho do Porto e laranja doce em cama de alface com gomos de tomate e laranja
Arroz àrabe perfumado com especiarias
Batatinhas Maitre d'Hôtel
Vinho
Duas Quintas 2009 tinto
Sobremesa
Carolo de milho com um toque de limão e canela
Espumante
Raposeira Super Reserva Meio Seco
Cafés e digestivos

Demorei menos de uma hora a preparar tudo. No final fomos os dois passear a Sutra.

10/02/2011

Linhas


Tão simples de fazer, tão bonito de olhar. Ainda não me aventurei neste motivo tão intrincado, mas fiz dois bem mais simples. Cruzinhas infindáveis, minúsculas, a linha que se torce, um nó que tem de ser desfeito, uma linha ao lado e toda uma série de cruzinhas para desfazer, tão paciente, tão perfeito.
A minha avó bem me dizia que eu devia saber bordar. "Quando eu tinha a tua idade" dizia-me ela há uns bons quinze anos atrás,"Sentava-me com as minhas amigas a bordar e era assim que passávamos as tardes".
Outros tempos, outras vidas. No meio da correria dos dias, uns minutos de paz, todas as noites, o meu momento zen.

04/02/2011

Mais duas semanas

O Outro Biscoito teve agora o verdadeiro surto de varicela. Depois de já ter tido alta e ter voltado à escola, as bexigas cobriram-no completamente. Está num estado que mete dó e acorda de noite porque lhe dói a pele. Coitado do meu filhotinho pequenino.
Entretanto, e porque as camisolas não correram lá muito bem, estou a encher-me de coragem para as desmanchar. Resignei-me: eu só sei tricotar a direito.
Por outro lado, e porque é preciso estar com as mãos ocupadas, lembrei-me que até tinha umas linhas e uns restos de tecido e que por acaso até gostava de ponto cruz.
Experimentei os motivos dos tricots em ponto cruz e adorei. O Ricardo a princípio estranhou, dizia que era coisa de velha. mas o resultado ficou tão bonito que agora vão saír vários em várias cores.

25/01/2011

Duas semanas

Duas semanas em casa é quanto a médica de família recomenda até o Biscoito se ver livre da varicela. 
A pensar que o Outro Biscoito pudesse também ficar despachado das bexigas, estamos exactamente há uma semana em casa. Não me queixo. O que me cansa é o stress e isso ficou do outro lado da porta. 
O Biscoito já passou a fase das bolhas e do nariz entupido e entra agora na fase insuportável em que já está farto de estar em casa mas ainda não tem autorização para ir para a escola. O Outro Biscoito recuperou lindamente das queimaduras, fez uma alergia horrorosa ao penso e varicela, nem vê-la.
Comem mal e a desoras - parece que a falta de apetite é normal, têm os sonos trocados e não os consigo enfiar na banheira. Vivem de desenhos animados, carrinhos e iogurte com maçã. Preocupo-me agora é como vou levar os dois selvagens ao supermercado porque as maçãs acabaram.

Aprendi que os meninos brincam com os carrinhos como as meninas brincam com bonecas. Há o carrinho Mamã, o carrinho Papá e muitos olá queres papa? Também vão dormir debaixo da manta e depois correm pelo chão e pelas paredes a brincar às corridas. Tal qual eu com os bonecos (excepto a parte das corridas). O Outro Biscoito pediu-me uma cama para o cão pequenino e eu deitei mãos à obra. Mais precisamente, à máquina de costura. Aproveitei ter a mão na massa (neste caso na agulha) e cosi as bainhas dos guardanapos (feitos de panos de cozinha) que esperavam alinhavadas desde o Natal, e um necessaire (feito de uma almofada). Com o forro da velha tábua de passar a ferro, fiz o dito edredon para o cão. Ele adorou.

Hoje vou terminar a camisola do Outro Biscoito e começar uma para o Biscoito. Estou a gostar de ser dona de casa. O que vale é que é só por algum tempo.

14/01/2011

Leite quente

Enquanto eu me atarefava a preparar as marmitas dos almoços do dia seguinte, o Otro Biscoito quis leite. Toma lá o copo, o leite está aí, serve-te de quanto quiseres.
E ele serviu.
Não sei porque não liguei quando ele me pediu leite quente, não sei porque ignorei o barulho do microondas, não sei porque me demorei a encher os tupperwares. A única coisa que sei é que não cheguei a tempo de impedir que o meu filhotinho querido se queimasse com leite a ferver.

Tem queimaduras no peito e na boca, tem de ir ao centro de saúde dia-sim-dia-não mudar o penso e untar com pomada antibiótica o pequeno peito empolado.

O meu peito está queimado por dentro.