31/12/2007

Réveillon comm'il faut


Tal como no ano passado, este réveillon vai ser passado com o filhote e com a minha avó, porque mais uma vez, toda a gente se pisgou para outro lado qualquer (a minha irmã foi para Madrid, o meu irmão para Dusseldorf com os meus pais e os meus outros pais aproveitaram o casamento da prima da Àfrica do Sul para lá passarem umas férias). Com a agravante de eu estar grávida, vamos, mais uma vez, competir afincadamente para ver quem é o primeiro a aguentar acordado até à meia-noite. Espero sinceramente que seja o Ricardo, para eu poder adormecer no sofá à vontade enquanto o Biscoito arrasta a minha avozinha para o quarto e insiste para que ela se ponha de gatas a brincar aos carrinhos ou aos piratas.
A verdade é que os meus finais de ano são sempre uma miséria.
Depois de toda uma adolescência a passar os fins de ano em casa com os pais - porque os meus amigos eram todos uns gandulos alcoólicos e sabe-se lá o que é que me aconteceria, as festas de fim de ano durante a universidade passadas com os tais amigos gandulos e alcoólicos também não foram lá grande coisa. Ou acabavam todos bêbados e eu sóbria (lembro-me distintamente de celebrar a passagem do milénio com o médico de banco no hospital distrital de Mora, porque eu era a única sóbria que podia conduzir os bêbados para as urgências), ou eram esquisitas, tipo a de há dois anos, em que o marisco me fez uma limpeza interna e só por acaso é que não passei a meia-noite na casa de banho.
O mais estranho de tudo é que eu gostei verdadeiramente de passar a meia noite do ano passado com a minha avó, o Biscoito e o Ricardo no alto do Cristo Rei a ver a pirotecnia ao longo de Lisboa inteira depois de um calmo jantar em casa. Este ano faremos coisa parecida, mas talvez nos fiquemos por mais perto, não fosse eu estar grávida e a minha avó mais velhinha.
Vai correr tudo bem e eu vou começar agora a aquecer as sopas.
Boas entradas!

10/12/2007

Amor elevado a dois

Hoje fomos conhecer o novo filhote.
Como qualquer filho que se preze, assim que nos "viu" começou a mexer se muito e o coração acelerou. O pai babado encheu a sala com um sorriso maior que o mundo e eu sustive a respiração por momentos, a tentar decorar o ritmo cardíaco do pimpolho.
Há qualquer coisa de sobrenatural numa ecografia destas. Ver um feto viver dentro do nosso corpo é maravilhoso. Reconhecemos-lhe a espinha dorsal perfeitamente encaixada no crânio translúcido, um narizinho perfeito e idêntico ao do irmão mais velho,o coração a bater ainda meio fora do peito e os braços e as pernas minúsculos com esboços de pés e mãos.
Agora já posso sorrir enquanto pouso a mão na barriga crescente porque já vi o meu novo filho.

27/11/2007

Clementinas


À medida que as clementinas vão desaparecendo do cesto da fruta e eu vou suportando melhor o mundo odorífico que me rodeia, não posso deixar de pensar se este nascimento será tão fácil como o primeiro. O Biscoito nasceu tão depressa que o Ricardo nem teve tempo de terminar o amoço.
Não tive dores por aí além, mas estava extremamente cansada de não dormir nessa noite por causa dos berros e gemidos das minhas colegas de parto. Elas não descansaram a noite toda, nem me deixaram descansar. Foram todas corridas a cesariana. Bem feita.
De conversa com a Carelle, que também está grávida, soube que a filha, que teve o bom senso de nascer na Alemanha, teve o que chamamos de nascimento humano. A Carelle fez acumpunctura e eu levei uma epidural; ela teve toda a gente à cabeceira e eu ia parindo no corredor; ela nem teve baby blues; eu tive uma depressão que durou um ano. Como é óbvio, a Carelle vai voltar à Alemanha para ter o segundo filho. Mas a mim não me apetece ter o filho na Alemanha.
Ao contrário do primeiro parto, este segundo será num hospital público. Começo a pensar se será boa ideia. Acho que toda a minha família nasceu lá,o que me parece um bom augúrio. Presumo que esteja mais bem preparada emocionalmente do que no primeiro parto e consiga lidar bem com enfermeiras apressadas e médicos atarefados.
Como vai ser um nascimento via Serviço Nacional de Saúde, começa bem: soube hoje que a minha ecografia da 12ª semana vai ser adiada até janeiro, qundo eu tiver 16 ou 17 semanas de gestação, porque o médico vai de férias nessa altura. Agora só tenho de tentar encontrar outro médico do SNS que me faça uma ecografia na altura certa. Ao menos, o laboratório de análises é aqui mesmo ao pé de casa (etapa superada!). Estou muito tentada a contratar uma doula para me apoiar nesta gravidez. Não as conhecia aquando da primeira, mas a procura de informação sobre o pós parto levou-me a elas.
Tive um puerpério terrível. Descobri agora que as ameixas e os alperces secos têm mais ferro que os comprimidos e não provocam obstipação. Por conseguinte, não tomo mais comprimidos de ferro. Não volto a passar pelo mesmo.
A enfermeira da consulta de saúde materna quase me repreendeu por eu ter engravidado sem ter feito exames de saúde prévios, ao que eu respondi que eu e o meu marido éramos dadores de sangue, saudáveis e já tiveramos uma experiência anterior bem sucedida, e mais, não fazia ideia de que fosse necessário uma análise ao sangue antes de engravidar. Ela ficou chocada, mas não mais do que eu.
Vou comer mais uma clementina. A sexta ou sétima do dia.

25/11/2007

Dois-em-um-segundo-capítulo

Estou grávida de dois meses.
Semana a mais ou a menos, os enjôos estão a dar cabo de mim. A minha barriga começou a crescer e já é desconfortável dormir de barriga para baixo. Tenho de perguntar constantemente se o cheiro que sinto na altura é real ou sou só eu. Ir a um centro comercial ou andar de metro passou a ser uma prova de resistência. É tal a mescla de odores que se tornam desagradáveis e, consequentemente, o meu estômago revolta-se. Antes de ontem fui participar na aula de chi-gung de uma amiga. Tudo corria bem, a eslastecidade e o equilíbrio nem estavam mal, mas a respiração ìgnea e o insenso fizeram-me saír de lá a correr antes do fim da aula. Pensaram que eu estivesse com as energias avariadas. Estava era a vomitar as tripas, o que não deixa de ser um bloqueio energético.
Vou-me concentrar no perfume das laranjas e tangerinas, no aroma delicioso dos últimos marmelos do ano e montar a àrvore de natal. Este ano encontrei um presépio decente à prova de Biscoito.
É preciso, que para o ano vão ser dois.

24/10/2007

Biosfera particular

Ontem vieram mostrar-me um aspirador-maravilha que aspira quilos de pó de tapetes acabados de saír da lavandaria. E desinfecta o ar e aspira àcaros de colchões e lava persianas. É o verdadeiro aspirador-maravilha. Apesar de ser o sonho da minha querida sogra, fiquei a pensar para comigo mesma num pequeno facto que acabei por discutir com a minha mãe enquanto bebia um café na cozinha (o café da minha mãe é o melhor do mundo) e esperava que a electricidade voltasse para poder ver a Martha Stewart (é o meu ritual matinal: levar o Biscoito à escola e ir a casa da minha mãe beber um café e ver uma mulher a transformar um repolho murcho num jantar de cerimónia para dez pessoas).
Ah, sim, o facto é o seguinte; vivendo nós nas nossas casas, é perfeitamente natural que as queiramos limpas e sem cotão debaixo dos móveis (que eu tenho aos montes e só o aspiro quando se torna evidente que há cotão debaixo dos móveis, sim, porque eu tenho mais que fazer da minha vida do que manter a casa num brinco). Ora, se abrimos as janelas durante o dia, sobretudo se a casa for velha, as janelas de madeira descascada e vivermos junto a uma floresta tropical (com este calor quase em novembro, é para lá que caminhamos), a tarefa será inglória. Talvez para as dondocas da Quinta do Lambert (e que têm criadas que usam farda e vão às compras e cozinham, que eu sei) que nem varanda têm, mas não para mim, que tenho duas varandas e a porta da cozinha só fecha à noite, seja verão ou inverno. Bom, é que a falha entre a porta e a calha é tal, que estar a dita aberta ou não é perfeitamente indiferente. E é precisamente na varanda da cozinha que eu penduro a roupa a secar e guardo os baldes da reciclagem. Adiante.
O aspirador-maravilha continuava a maravilhar-me a cada nova demonstração das mil e uma funções da máquina fabulosa (tecnologia alemã, claro está), enquanto eu pensava cá para os meus botões - ora, se este aspirador aspira tudo e mais alguma coisa, tira-me os micróbios e os àcaros de dentro de casa. Isso é bom. Ora, com o tempo, o meu organismo desabitua-se dos tais micróbios e àcaros que o aspirador-maravilha aspirou. Isso é mau. Ora, se o meu organismo se desabitua da fauna existente na atmosfera e com a qual nós, seres humanos, coabitamos mais ou menos pacificamente desde há milhares de anos, o que será que me acontece assim que eu puser o pé fora da minha micro-atmosfera altamente higienizada?
Morro de septicémia, só pode.
É por isso que eu gosto de acampar. Dormir no meio da terra (sim, o Biscoito trata de enfiar terra e pauzinhos dentro da tenda assim que a vê a ser montada e ninguém a consegue limpar sem a desmontar) desentope-se-me o nariz e passam-me logo as renites.
Tomo duche de àgua fria e não tenho aquecimento na casa de banho. É frio mas é bom, e desde que saí de casa da minha mãezinha que não tenho uma gripe. Eu bem tento explicar à minha cara-metade que lavar as mãos e o rabiosque do Biscoito com àgua fria não lhe faz mal nenhum, mas tenho impressão que ele até aquece a àgua de lavar os dentes do miúdo. É claro que quando ele não está a ver, o Biscoito toma duche de àgua fria - só no tempo quente, calma - e anda sempre mais despido do que as avós imaginam, mas a verdade é que o meu filho é um encalorado e só tem o nariz a pingar por causa das viroses do infantário. Olha, deviam era vender um aspirador-maravilha ao infantário!
Hoje soube que o pianista do meu casamento de sonho teve um avc e está em coma. Tem 36 anos de idade e três filhas. Assim, num piscar de olhos, o mundo dessa família ficou virado ao contrário. Estava a escrever-lhe uma carta a agradecer o ambiente maravilhoso que nos proporcionou durante todo o jantar. Passei a semana toda a adiar o telefonema para perguntar a morada e enviar a carta. Agora não sei se a termine e entregue na mesma, ou a guarde e espere que ele melhore. Não sei se telefone ou envie um bilhete à mulher, não faço ideia do que se faça numa situação destas. Sei simplesmente que se ele voltar a tocar piano, será um milagre.

16/10/2007

30 anos e 1 dia

Tenho 30 anos e um dia.
Nunca me assustou fazer um aniversário tão redondo. Pelo contrário, desde os vintes que esperava ansiosamente por este dia. Os 30. A idade adulta a sério, porque aos vintes ainda era uma miúda. Agora casei, tenho filhos e trinta anos. Sou uma senhora.
Estou a gostar, este dia novinho em folha de uma década nova. Parece tudo mais verde.
Nunca imaginaram cores para os números? Eu sim, cada número tem uma cor própria, excepto quando se juntam em números compostos, caso em que as cores se misturam e eu fico a pensar se será esta ou aquela. Muitas vezes, os números são tão grandes que ficam brancos, tipo ummilhãoseiscentosecinquentamilecatorze. A total mistura de cores dá no branco total. É fabuloso. Mas o estranho é que o 3 é amarelo dourado (não confundir com o amarelo canário do 7) e o 0 é branco-prateado. No entanto o meu futuro é verde.
A ver: o 0 é branco prateado e o 1 é azul cobalto; o 2 é azul esverdeado, o 3 é amarelo dourado e o 4 é vermelho; o 5 é azul turqueza e o 6 é castanho chocolate; o 7 é amarelo canário e o 8 é de um violeta escuro; o 9 é preto ou verde escuro, conforme lhe dê o sol. Depois vem o 10 que é quase branco, o 20 é da cor da àgua-marinha gigante que está na exposição permanente no palácio da Ajuda e o 30 é verde claro. O 40 é vermelho coral, o 50 é azul claro e por aí adiante até ao branco total.
Depois, para fazer contas e calcular os trocos, imagino os números todos ordenados por ordem crescente, da direita para a esquerda (que eu sou canhota), do 0 ao 9, e para qualquer operação que tenha de fazer imagino os números a desdobrarem-se ou anularem-se num plano vertical inferior à linha inicial, sendo que o resultado aparece sempre mais à esquerda e destacado por uma luz amarelo-mostarda brilhante, até que a massa de números e operações de primeiro e segundo grau se confundem numa massa avermelhada que se dilui nos contornos do ambiente que me rodeia na altura.
Parece-me bem.

12/10/2007

Pura Vida



GEOTUR
A/c Carla Martins
16 – Oeiras

Lisboa, 11 Outubro 2007

Assunto: Reclamação de Serviços prestados pela agência de turismo local ESCAPES ECOLOGICOS, 75 metros norte de la entrada del Zoológico Simon Bolívar, Barrio Amon, San José, Costa Rica.

Serve a presente para expor as falhas e contratempos delas decorrentes, no programa de viagem FLY AND DRIVE COSTA RICA, processo nº XX/XX/XXXXX que adquirimos junto da V/ agência.
A viagem de lua-de-mel compreendida entre os dias 23 de Setembro de 2007 e dia 6 de Outubro de 2007 foi bastante acidentada. Desde os atrasos de um dia na chegada e partida a/de San José de Costa Rica – que se deveram exclusivamente a condições meteorológicas adversas, e o assalto ao nosso automóvel e roubo das bagagens no dia 28 de Setembro, em Samara, aconteceu de tudo um pouco. Queremos no entanto salientar que o itinerário entregue pela ESCAPES ECOLOGICOS está errado, necessita de alterações urgentes e, sobretudo, é necessário que se procedam a alterações nos trajectos durante a época das chuvas (de Abril a Novembro) por ser absolutamente impossível cumpri-lo.
Como representante da agência de turismo local, foi o Sr. Sebastián Vega, tel.: (00546) XXXXXXX, contactou-nos assim que chegámos a San José de Costa Rica, junto da agência de aluguer de automóveis ALAMO. Este número de telefone foi o que utilizámos sempre que contactámos a agência.
Enquanto clientes da ESCAPES ECOLOGICOS através da GEOTUR, achamos ser obrigação da ESCAPES ECOLOGICOS informar a GEOTUR e o cliente das condições climatéricas e, neste caso preciso de FLY AND DRIVE, do estado das estradas e vias locais.
O primeiro contratempo aconteceu logo no dia 25 de Setembro, quando nos dirigíamos para o Hotel Rancho Casa Grande em Manuel António. Para além de um troço da estrada de San Isidro del General para Dominical estar interdita por terem ocorrido resvalamentos de terra provocados pela chuva forte e repentina (e que nos achamos no direito de ter sido avisados dessa possibilidade), acontece que a indicação está errada: o Hotel Rancho Casa Grande não é em Manuel António, mas cerca de 25km antes de Quepos. Fica situado na Província de Quepos no Parque Natural Manuel António, sim, mas muito antes da cidade de Quepos, e sobretudo, não tem absolutamente na da a ver com o pueblo Manuel António. Por causa desta informação errónea, perdemos mais de duas horas à procura de um hotel que não existia em Manuel António, sendo que esta localidade é uma Meca hoteleira. Convenhamos que procurar um hotel que não existe depois de cinco horas de viagem por uma estrada esburacada e não alcatroada, numa localidade onde porta-sim-porta-sim existe um hotel, pensão ou resort, com a noite a cair, a chover e sem qualquer outra indicação, é obra.
Logo no dia seguinte, seguimos o itinerário até Mal País, onde passaríamos a noite hospedados no Hotel Casa Caletas. Foi com surpresa que, com o mapa numa mão e o itinerário na outra constatámos que várias das vias estavam quase intransitáveis devido à chuva. Felizmente o nosso carro alugado tinha tracção às quatro rodas e o meu marido e companheiro de viagem é um condutor extremamente experiente no que toca a todo-o-terreno. Mais uma vez, a noite caiu cerrada às 17:00h, hora local (algo que também não nos informaram que acontece num país tropical) e chegámos a Mal País cerca das 20:00h, muito mais tarde do que supunha o itinerário. Procurámos pelo Hotel Casa Caletas que, segundo a ESCAPES ECOLOGICOS deveríamos «llegar al pueblo de Paquera, Cobano, Montezuma y Mal País, donde pasaremos la noche.(…)Hospedaje en el Hotel Casa Caletas». Mais uma vez, perdemos mais de uma hora à procurar um hotel que não existe.
Enquanto tentávamos contactar o Sr. Sebastian Vega, o que nem sempre era possível devido à falta de rede de telemóvel e por os telefones públicos só funcionarem com cartão (e que já não podíamos comprar por estar o comércio fechado àquela hora), erca das 21:30h, o Sr. Sebastian Vega informou-nos que desconhecia o local onde se encontrava o Hotel Casa Caletas. Telefonámos nós ao hotel Casa Caletas – cujo telefone se encontrava no itinerário português disponibilizado pela GEOTUR onde nos disseram que o hotel se situava em Playa Caletas, Puerto Coyote, que deveríamos seguir em direcção ao norte, pela costa, mas que tal era impossível nesta altura do ano, por os rios terem galgado as estradas e as pontes e o caudal ser de sobremaneira forte que se conheciam mortes na semana precedente. Entretanto o Sr. Sebastian Vega telefonou-nos cerca das 23:00h a dar-nos a informação que o hotel não ficava em Mal País, mas sim em Playa Caletas, na direcção de Puerto Coyote. Deu-nos depois o telefone do Hotel Casa Caletas em Jacó, que não era o correcto.
Como devem calcular, confrontámos o Sr. Sebastian Vega com a incompetência demonstrada, ao qual ele sugeriu que voltássemos para trás até Jicaral, onde contornaríamos a nascente do rio Ario, para podermos seguir novamente para a costa até Puerto Coyote. A viagem levaria três horas por uma estrada de terra batida, acidentada e sem iluminação. Assim fizemos por não termos outra alternativa. Quase de três horas depois, perto da uma e meia da manhã, encontrámos finalmente indicação para Playa Caletas e para o Hotel. Ao passarmos pelo último sinal que anunciava «Hotel Casa Caletas 3km» fomos obrigados a parar, por haver um rio em vez de uma estrada à nossa frente.
Obviamente aborrecidos com a situação, prosseguimos em direcção a nordeste (pensamos nós que assim tenha sido) tentando encontrar uma ponte ou alguma passagem pelo rio, pois decidimos seguir viagem até Samara, onde decerto nos poderiam hospedar no Hotel Mirador Samara, onde tínhamos reserva para o dia seguinte. Tal não foi possível por não haver qualquer indicação da direcção a tomar. Por termos viajado por mais de 150km à noite por trilhos acidentados, vimo-nos obrigados a parar junto ao que nos pareceu um pueblo extremamente pequeno, onde decerto, na manhã seguinte, nos poderiam indicar a bomba de gasolina mais próxima. Dormimos no carro, exaustos.
Na madrugada seguinte, cerca das 4:30h da manhã, fomos despertados com o som de música, onde à luz do dia que despontava. Saímos do carro e dirigimo-nos à casa onde os seu habitantes estavam já despertos. Aí pedimos informações sobre o percurso a tomar em direcção a Samara, e sobretudo sobre a distância até à bomba de gasolina mais próxima. Indicaram-nos Carmona como tendo a bomba de gasolina mais próxima, cerca de 30 km a norte. Aí chegámos às seis da manhã e, felizmente, o posto de abastecimento estava já aberto, e pudemos encher o depósito do carro, que se encontrava já no fim da reserva. De salientar que no itinerário destacam «(…) um dia de aventura, onde atravessaremos vários rios, passando ao longo da costa por várias povoações e vilas com incríveis panorâmicas sobre o Oceano Pacífico». Pois. Esse caminho fizéramos nós na noite anterior.
Prosseguimos calmamente até Samara, onde chegámos ao Hotel cerca das dez da manhã. O dono do hotel, o alemão Max, achou inadmissível da parte da ESCAPES ECOLOGICOS que tivessem permitido tal acontecer e telefonou ele mesmo à agência, onde exprimiu a sua opinião pessoal. Imediatamente a seguir, o Sr. Sebastian Vega estava ao telefone comigo, onde lhe expliquei em português que o que nos sucedera a noite passada e na noite antes dessa não pode nunca acontecer numa viagem organizada, muito menos numa viagem onde os clientes estão sozinhos, sem o acompanhamento de um guia experiente. Exigi que medidas de compensação fossem tomadas, nomeadamente o reembolso do valor respeitante à noite perdida no Hotel Caletas. Sem mais percalços, ali passámos o dia e a noite.
No dia seguinte, frente ao supermercado de Samara, arrombaram-nos o carro e roubaram as duas mochilas da bagageira, com todas as nossas roupas e outros objectos de higiene e pessoais. Tomámos imediatamente as medidas necessárias junto da polícia, onde apresentámos queixa e nos dirigimos à companhia de rent-a-car ALAMO dar parte do arrombamento, apresentar a denúncia e entrar em contacto com o Sr. Sebastian Vega.
Extremamente desmoralizados com os acontecimentos dos últimos dias, pusemos completamente de parte o itinerário sugerido pelas duas agências, comprámos um mapa mais detalhado e prosseguimos viagem calmamente, seguindo o nosso próprio instinto, pernoitando nos hotéis indicados, sem qualquer tipo de incidente.*
No dia 1 de Outubro entregámos o carro à ALAMO em San José e fomos transportados para o Hotel Playa Conchal, onde passámos os restantes dias de férias. Dia 6 levaram-nos do Hotel Playa Conchal directamente para o Aeroporto, onde queremos exprimir o nosso agradecimento ao funcionário da ESCAPES ECOLOGICOS, o motorista Manuel, por ter viajado dez horas, de San José ao hotel e depois feito a viagem de retorno de forma extremamente profissional, segura e eficaz. Infelizmente, e tal como acontecera no primeiro dia, não foi possível levantar voo por questões meteorológicas, ao que, tal como acontecera no voo de chegada, a IBERIA nos alojou para passar a noite. No dia 7 de Setembro, chegámos ao aeroporto da Portela, em Lisboa, sem mais percalços. *

Esperamos sinceramente que este relato permita à GEOTUR entender que é sempre necessário conhecer os locais e os percursos das viagens que vendem aos V/ clientes. Não é demais salientar que, por mais boa imagem e curriculum que uma agência de viagens tenha, a ESCAPES ECOLOGICOS revelou-se um perfeito desastre, incompetente e irresponsável, por ter vendido um pacote de viagens PERIGOSO e induzido várias vezes em erro os seus clientes – a GEOTOUR e nós. É absolutamente inadmissível que tais acontecimentos tenham ocorrido por pura falta de comunicação e desleixo da parte da ESCAPES ECOLOGICOS, que, melhor que ninguém, deveria entender a diferença entre estação quente e estação das chuvas num país como a Costa Rica, onde a floresta virgem e os desastres naturais imperam, e o Homem não tem qualquer controlo sobre eles.
Esperamos também que seja rapidamente regularizada a situação do reembolso, quer em valores quer em géneros, conforme vos seja preferível. Quer isto dizer que, para qualquer uma das hipóteses terá de nos ser apresentada uma factura/recibo com o valor a ser devolvido e explicado como o será feito – dinheiro, cheque, transferência bancária, vale ou pernoita num outro hotel.
Fora todos os acontecimentos acima descritos, devo salientar que a Costa Rica é um país belíssimo que deverá continuar a apostar na preservação dos seus recursos naturais. O facto de ser uma democracia estável faz-nos sentir seguros num país tão distante do nosso, e a escolaridade e saúde gratuitas são realmente eficazes, pois por mais recôndito que seja o local onde nos encontramos, conhecemos sempre pessoas educadas e amáveis, com quem falámos sempre de igual para igual, o que transmite sempre uma sensação de bem-estar e compreensão.
É um país para visitar várias vezes, mas desculpem-nos a franqueza, nunca mais iremos em viagem organizada pelas ESCAPES ECOLOGICOS.

Atenciosamente,
os noivos em lua-de-mel


.



* Bom, não foi bem assim. Mas esta parte não interessa à agência de viagens. Pela primeira vez em muito tempo, estávamos sem carro e sem qualquer preocupação que não fosse decidir se passávamos o dia na praia ou na piscina. Entretanto, e como chove sempre depois da uma da tarde, fomos passear pelos campos de golfe do hotel, onde as minha havaianas sobreviventes derraparam no alcatrão molhado e a minha perna direita (é sempre o lado direito) raspou ao longo de meio metro. Resultado: hotel de cinco estrelas absolutamente maravilhoso, sem roupa, sem escova para o cabelo, e agora sem um bocado do joelho e do dedão do pé.

Tcham tcham tcham tcham



Para dia 22, o Almanaque Borda d'Àgua anunciava um dia auspicioso. A entrada do sol no signo balança (equinócio do outono) traria harmonia e equilíbrio. Pareceu-me perfeito.

Depois de uma semana e uma manhã a contra-relógio, a tarde foi calma e feliz. O Biscoito não fez nenhum escândalo e os meus pais sorriam. Toda a gente sorria. Os meus dois pais levaram-me ao altar. Sobrevivemos ao sermão do padre - do qual retive apenas os milhares de vezes que foi proferida a palavra amor - e aos murmúrios do rápido, rápido, que o baptizado das quatro e meia já está à espera; atiraram-nos uma chuva de arroz e pétalas e muitos beijos e eu não andava, pairava. É fabuloso estar rodeado de todos aqules que nos são queridos e, sobretudo, ter os meus pais e irmãos todos juntos pela primeira vez. O meu coração transbordava e eu estava feliz.



O bolo de noiva era de amêndoa a sério (nada de pão-de-ló seco e ultra doce) tinha dois andares e cobertura de merengue. Foi servido à sobremesa e só sobrou uma fatia. Os noivos "do topo do bolo" foram feitos especialmente para nós pelos Irmãos Ginja. São uma belíssima recordação do meu dia perfeito, bem mais valiosos do que aqueles bonequinhos horrorosos que se vendem por todo o lado e custam balúrdios. Adoro-os. Hei-de lhes encomendar um São Francisco e uma Nossa Senhora do Ó.
Obrigada, Luís por os teres trazido até Lisboa.

18/09/2007

Contagem decrescente

...para a grande festa. Não sei muito bem como me sinto, ainda não decidi se exultante ou ansiosa. A grande verdade é que tenho cada vez menos vontade de festejar em grande , como sempre sonhei e imaginei desde que me lembro. Que ele é o tal, não há dúvida alguma, mas lá que isto me ultrapassou há muito, também é verdade. Tenho tratado de tudo praticamente sozinha, sem nervos nem grandes acidentes de percurso, mas esta última semana tem sido complicada por uma simples razão, a mãe da noiva.
A minha mãe é o antónimo da Martha Stewart. Não que deteste receber, pelo contrário, mas enerva-se de tal forma com os preparativos, que só temos vontade de lhe dar uma cabeçada. É perfeitamente incapaz de racionalizar nessas alturas. Hoje tive vontade de lhe dar uma cabeçada. Afinal, eu só precisava de um abraço, mas quem mo deu foi o Biscoito.
Querido filho, de cada vez que eu estiver demasiado parecida com a minha mãe, abraça-me.

20/08/2007

Mel


Mel (pl. meles ou méis, do Lat. mele, s.m., substância doce que as abelhas produzem através do néctar das flores e que depositam nos alvéolos dos seus favos para alimento durante o Inverno) é o novo alimento favorito do Biscoito. É verdade. De manhã, iogurte com flocos de aveia e mel, ao lanche leite frio com mel e ao deitar leite quente com mel. O meu filho fica todo peganhento e muito melado, e vem-nos colar as mãos às pernas e dar muitos beijinhos doces. Eu estou numa de melaço, e bebo charope de seiva em vez de jantar. Hei-de caber no raio do vestido.

Tenho de encontrar a máquina fotográfica que o Biscoito escondeu e não se lembra onde.

16/08/2007

Para quem não sabe


nós estamos de férias até ao fim do mês. Fomos à Serra da Estrela passear. Quando encontrar a máquina fotográfica mostro mais fotos.

23/07/2007

Dois longos anos de noivado



Estive quase quase a convencer toda a gente a ir para o Algarve só no sábado de manhã, para poder ir buscar o Harry Potter à meia noite em ponto na livraria do costume, mas lembrei-me de procurar uma lá em baixo e reservar por telefone, e assim pudémos ir todos jantar a uma latitude mais a sul. Mais compostos e com um quase escaldão nos ombros de um sábado inteiro na praia, lá fui a saltitar até à livraria (o meu homem veio atrás, discretamente) para resgatar o meu mais-que-precioso exemplar das garras do pó das estantes malditas dos armazéns das livrarias, direitinho para os meus braços. Ah, que bom é ter um livro novinho em folha, principalmente um que esperamos há dois anos! Ainda me lembro do último, em que o meu querido homem apareceu em casa à meia noite e meia do dia do meu aniversário com um exmplar novinho em folha - do qual eu já tinha lido a versão original no Verão que ele gentilmente sacara da net. Adiante. Depois hei-de comprar a versão em português com a capa infantil, e se algum dia me lembrar, hei-de ir a uma feira do livro comprar as edições que me faltam, em ambas as versões para os meus filhos lerem tudo de uma ponta à outra. Porque livros nunca são de mais.
E estamos oficialmente noivos. Para comemorar fomos almoçar um bitoque com tudo o que temos direito e uma travessa extra de salada mista. Estou cheia. O noivado começa farto.

17/07/2007

Emprego chato

Eu tenho um emprego muito chato. O meu emprego é isso mesmo: um emprego. Passo o dia inteiro sem fazer nada de útil, e quando finalmente tenho alguma coisa para fazer, raramente gosto do que faço. Eu tenho um emprego mesmo muito chato. Mas sou bem tratada, tenho um salário superior ao correspondente para as minhas funções efectivas e - maravilha das maravilhas - um contrato de trabalho. Há cerca de dois meses passei-me da cabeça e resolvi que não aguentava mais. E é verdade, comecei a ter reacções físicas ao meu ambiente de trabalho. Dores de cabeça, náuseas e tonturas. Entrei em estado depressivo. Vieram falar comigo, que assim não estavam interessados em continuar a relação profissional. Pois eu também não. Estava farta e a embrutecer. O meu cérebro congelou no momento em que entrei para a empresa. O melhor era rescindir o contrato. E assim estamos à espera que tal aconteça. Que me liberte finalmente deste emprego chato que não me leva a lado nenhum. Ponderei os prós e os contras, e o único contra é a falta de dinheiro. Tudo o resto são prós. Talvez seja mais feliz num trabalho que tenha (mesmo que remotamente) algo a ver com o que eu estudei. E numa outra empresa, maior e mais competitiva, mais hipóteses de desenvolver as minhas capacidades intelectuais. Espero eu. É preciso é ter fé e andar para a frente.

16/07/2007

13/07/2007

Um livro para mim, outro para ti, outro para quem o quiser apanhar



Eu tenho muitos livros. Tenho tantos, que muitos deles já nem estão cá em casa. Um dia alguém me perguntou se já os tinha lido todos. Não, já devo ter lido o triplo. Se contarmos com os livros das bibliotecas e com os meus livros que ainda se passeiam pelas estantes da casa da minha mãe, então seriam muitos mais. Bom, talvez nem tantos, porque muitos deles são mesmo da minha mãe. É que ela também gosta e ler e não dispensa o prazer de os ver arrumadinhos por autores em ordem alfabética, os romances em cima, as enciclopédias geográficas em baixo junto aos belos livros de viagens que vem coleccionando desde há anos. Pelo meio, e porque as prateleiras são profundas, coloca molduras com os nossos retratos, porcelanas centenárias, ovos de avestruz e cabeças de pretos em madeiras mais ou menos preciosas.
Eu, como só tenho uma estante e além do mais tenho um filho pequeno que anda a treinar para ser explorador, não tenho tantas preciosidades. Os meus tesouros são menos preciosos, porque ainda não viajei tanto quanto a minha mãe, e porque têm de caber todos dentro de um saco, para se poderem mudar facilmente de uma casa para outra, que nós ainda somos novos e nómadas.
Isto para dizer que tenho muitos livros. Mas não tantos quanto gostaria. Ora porque ainda estou a ler outro, ora por outra razão qualquer, a verdade é que gostava de ter muitos mais. Imensos. Tropeçar neles quando acordasse, ter de afastar uma pilha de livros para chegar à torradeira, sentar o Biscoito num dicionário para chegar melhor à mesa e, máximo dos máximos, ter uma estante na casa de banho com livros dedicados ao bem-estar. Ultimamente tem-me acontecido algo parecido, mas por causa do Biscoito. desde que nasceu, que lhe ofereço livros. E brinquedos de madeira, mas isso é outra história. Para a idade dele ou não, ofereço-lhe todos os que posso. É que eu adoro livros infantis, de preferência com muitos desenhos bonitos e coloridos, que sejam agradáveis ao olhar e descomplicados. Muitas vezes, quando lhe estou a contar a tória antes de deitar, reparo que os olhos do Biscoito se passeiam com muita atenção pelos desenhos. E imagino-me criança, ao colo da vovó ou do papá a ouvir aventuras sem fim e a perder-me nos desenhos maravilhosos. A educadora do Biscoito diz que ele é o único que se senta sozinho a ler e a promessa de ouvir uma história garante-nos uma separação sem choros no infantário. É que eu adoro ler, e o meu filho adora ouvir, bem encostados um ao outro, numa cumplicidade que compensa um dia inteiro afastados. E que desculpa o tropeçar nos livros dele (e às vezes nos meus) pela manhã.

03/07/2007

Clic!


O orgulho de qualquer mãe. Daqui a uns anos vai ser repórter da Magnum. Ou da NG. Ou o digno sucessor do Avedon. Mas por enquanto ficou com um dedo à frente.

Esta é a primeira (e até agora única) fotografia que o Biscoito tirou. Vou chamar-lhe " Retrato da minha mãe numa tarde de sol". Daqui a uns anos pergunto-lhe se quer mudar o nome da obra de arte.
A vontade do artista é sempre volátil.

02/07/2007

Nós gostamos mais do Verão


porque temos amoras sumarentas para comer ao lanche, sentados no tapete da cozinha a ouvir o calor entrar pela porta escancarada

e pêssegos doces e alperces perfumados para comer à sobremesa.

18/06/2007

Convite


Os convites chegaram. Aproveito para agradecer formalmente à minha irmã o tempo e o dinheiro que disponibilizou para os fazer tal como eu queria. Bom, igual igual não está porque o tamanho teve de ser alterado. Ninguém teve culpa de o envelope ideal vir num único formato, mas ao menos tem a cor e a textura perfeitas. Estou contente com o resultado, apesar de ter passado a última hora a aparar as margens e a dobrá-los um a um. Ao que a minha irmã se escapou graciosamente. A verdade é que eu queria estes (a coroa imperial), mas recusei-me terminantemente a gastar mais de 100€ em convites e envelopes. E assim ficámo-nos pelo hipopótamo do Met artísticamente pousado no tabuleiro da minha mãe. Tudo home made. Claro.

14/06/2007

(Sobre)Viver



Encontrei-a na LeCool mas já não é a primeira vez que a vejo. Esta imagem faz-me tremer por dentro. É uma cena tão longínqua e tão irreal que me choco defronte da montagem que podia perfeitamente ser uma fotografia de reportagem de guerra da Time ou da NG. Igual a tantas outras que vemos todos os dias desses Iraques, Afeganistões, Malawis e noutras guerras por esse mundo fora. O horror bate-nos à porta e nós não podemos fazer nada. Valem-nos as histórias que ouvimos contar dos nossos avós em Londres, Paris ou Berlim, porque os nossos pais ainda não conseguem falar das Luandas nem das Bissaus que lhes atormentam os sonhos. Ao menos sabemos que é possível sobreviver, que a vida continua apesar de tudo. Porque é precisamente quando defrontada com o horror que a humanidade revela o melhor de si. Que se esquece de sim mesma e ajuda o próximo. É no horror que somos mais humanos. Se algum dia acontecer, sei que a Ami vai lá estar a ajudar-me. E a Cruz Vermelha, e os Médicos Sem Fronteiras, e a Unicef e muitas mais. É por isso, para que elas possam lá estar quando forem precisas, que eu compro os presentes dos miúdos na Unicef,que dou de bom grado nos peditórios da Cruz Vermelha, e que este ano 5% dos meu IRS foi para a Oikos (em guerra aberta contra a pobreza). É também por acreditar que é possível sobreviver, que tenho filhos e espero vir a ter netos qualquer que seja o cenário. Porque viver é bom.
p.s- bem vinda, Madaleninha!

13/06/2007

Santo António de Lisboa


Ontem fomos celebrar o Santo António. Deixámos o Biscoito com os Avós, enchemo-nos de coragem, estacionámos o carro o melhor que pudémos e aventurá-mo-nos escadas acima. Ficámos por São Vicente, por termos encontrado uma mesa à nossa espera num arraial com música decente e num volume aceitável. Depois de anos infinitos a começar a noite a subir pela Sé até ao Castelo e descer até Santa Apolónia apra apanhar um táxi que nunca mais chegava, este ano fomos pelo caminho inverso e de carro. Foi o melhor que podíamos ter feito.
Adorei ver Lisboa enfeitada, a Marcha de São Vicente (Alfama ganhou pela enésima vez) a passar junto à nossa travessa de sardinhas e o meu manjerico brilhar e aguentar estóicamente na minha mão até casa. Adorei conhecer as pessoas que conheci, uns, estrangeiros maravilhados, outros, gente de bem feliz pela festa e pela travessa de caracóis que parecia não ter fundo. Encontrámos conhecidos, amigos de longa data, e celebrámos uma prima novinha em folha*. Adorei namorar outra vez.
Hélas, que bela noite de arraial!
*a Madaleninha nasceu às 22:30h

01/06/2007

Dia Mundial da Criança


Um sorriso do Biscoito para um dia iluminado.
Continuamos a lutar para que ilumine todas as crianças.

23/05/2007

Impressionismo


Der Goldene Fisch, Klee, 1925

Uma vez passei um verão num quarto com este Goldene Fish. Das duas ou três vezes que visitei o Lenbachhaus/Kunstbau Museum nunca dei por ele. Ou pelo menos, não me recordo. Talvez estivesse junto à ombreira da porta que dava para a sala com uma janela muito grande a iluminar uma piscina de óleo feita por um japonês sorridente que por lá apresentava qualquer instalação na altura.

Farbstudie Quadrate, Kandinsky, 1913

Lembro-me principalmente da energia deste quadro, relativamente pequeno e isolado, demasiado perto do quiosque, de nomes impressionantes como Klee , Münter, Marc, Kandinsky, Jawlensky, todos de azul montados a cavalo. Um casamento na aldeia, três tigres amarelos e todas as cores do arco-íris. Recordo fotografias, operários e o estuque do tecto. E de me ter apaixonado pelo movimento Der Blaue Reiter.
Também me lembro que a seguir termos ido beber uma Weissbier à Hofbräuhaus e ver um concerto de Sting mesmo ali ao lado. Os bons tempos de estudante.

21/05/2007

Kahva


Dos grandes prazeres da minha vida, o café é um deles. Adoro sentir os meus dedos a afundar entre os grãos torrados, e ficar com o perfume forte do café nas mãos. Lembra-me o hálito quente da minha mãe quando me vinha acordar. O melhor café do mundo continua a ser o que a minha mãe faz, mas o meu está a melhorar consideravelmente. É arábica de produção biológica e tem um leve travo a banana (!). Não gosto lá muito do robusta. É amargo demais.
Adoro café como a minha prima da Àfrica do Sul adora chá. Eu de chá nem por isso, é bom com leite e açúcar nas tardes chuvosas de inverno, mas pouco mais. Ela tem ataques epilépticos de cada vez que me vê fazer isso a such a nice cup of tea.
Gosto tanto de café que o bebo de todas as maneiras - quente, a escaldar, frio, com gelo e limão, com leite ou com mais àgua, - e sempre, sempre sem açúcar.
Acho as bicas e os simbalinos insuportáveis, e só o bebo de saco, ou feitos em maquinetas destas, como a minha.
Aliás, o melhor ritual matinal, quer seja em dia de semana ou nas mais relaxadas férias, é o shrrr shrrr do café pronto a servir. E a consumir.
Hum...cheiro a café.


18/05/2007

Romance

Se há coisa que me irrita profundamente, é gastar pipas de massa em livros sobrepublicitados e que, invariavelmente, ficam aquém das expectativas. Estava eu a tomar um aromático café e a falar sobre isso mesmo, quando me dei conta que tinha acabado de gastar €22 num livro desses. Sim, gastar. E nem tinha passado do 1º capítulo.
Como nestes últimos e noutros tantos que passaram pelas minhas prateleiras.
Por outro lado, e enquanto falava mal de traduções pior que péssimas, lembrei-me que nas minhas estantes também os havia de suprema qualidade, de tal forma que pensei seriamente em encomendar as versões de bolso para ler os originais.
Por exemplo, destes todos já só me falta este que vou deixar para alguém me oferecer pelo Natal, e não duvido que acabe a comprar toda a obra do Maurice Druon em edição de bolso não traduzida, tal o prazer de os ler.
Também gostei muito deste , que me surpreendeu e até escrevi um mail à autora só a dizer bem,
e deste ,que me surpreendeu ainda mais pelo latim,
e sei que vou gostar deste cuja leitura interrompi para parir um rapaz e ainda não o retomei.
Grande falha, garante-me quem mo ofereceu.
Encontre-se neles um denominador comum - todos eles são romances históricos, mais ou menos seculares. E são sempre histórias prodigiosas. Ah, um dia também hei-de escrever um.

10/05/2007

Homo coiso e tal


Depois de muito pensar e de estudar chimpanzés, alguém chegou à conclusão que os Pan Troglodytes deveriam passar a pertencer ao género Homo, o nosso. Eles seriam Homo Troglodytes, nós continuaríamos como Homo Sapiens. Os chimpanzés passariam a ser Humanos como nós, mas de uma espécie diferente da nossa. Por mim tudo bem. Até acho que a coisa faz mais sentido, uma vez que a Lucy é mais Pan que Homo.
Proponho, assim, que o Homo Sapiens seja também recatalogado como Homo Desctructors. Porque Sapiens é que nós já não somos.

09/05/2007

57


Faz hoje 57 anos que Mr. Robert Shuman, Ministre des Affaires Étrangères declarou que "L’Europe ne se fera pas d’un coup, ni dans une construction d’ensemble : elle se fera par des réalisations concrètes créant d’abord une solidarité de fait." (Robert Schuman,9 mai 1950) Estavam lançadas as bases para o Tratado de Roma e o início da Comunidade Económica Europeia.
Este cavalheiro a coçar a calvice é o avô da Europa.
E é francês, bien sûr.

04/05/2007

Vermelho


O biscoito estava muito curioso acerca das primeiras papoilas do ano. Acho lindo ver uma criança maravilhar-se com algo tão simples como uma papoila vermelha ao sol.

02/05/2007

Rapazinho


Talvez por ter cortado o cabelo e se ter visto diferente, o Biscoito resolveu que era outra vez bebé e quis a chucha, o óó e o colo da mamã. Dei-lhe tudo e mais: aconcheguei-o no pano para o embalar, tal como quando ele cabia lá todo encolhido, bem encostado à minha barriga. Mas desta vez ficou com as pernas de fora. Como cresceu!
Agora é o meu rapazinho. Faz-me lembrar os miúdos dos filmes italianos do pré-II GM, a correr com umas pernas compridas em calções e botas grandes
como aqui

e aqui (mas numa versão chique)

Não vale a pena, sou absolutamente fã deste padrão. Adoro-o em todo o lado, sempre este, nunca os outros. Um dia gostava de ter uma gabardine assim. Da marca. Para condizer com a pochete. C'est chic.

23/04/2007

Vovó


A minha avó é o máximo. Entusiasmada com o passeio matinal no Chiado, não resistiu a tocar no cavaquinho do Biscoito em plena pastelaria só para agradar ao pequeno.
"Eu gosto muito de tocar pim perlim pim pim, eu gosto muito de cantar pim perlim pim pim". O Biscoito delirou e eu achei a minha avó maravilhosa. Não fazia ideia que ela soubesse tocar cavaquinhos de brinquedo!

O Biscoito adorou a viola de brinquedo. Fizémos uma orquestra com pífaros e pandeiretas e cada um tocou os intrumentos à vez. É reconfortante saber que os brinquedos tradicionais continuam a entreter os filhos de hoje.

p.s- Na rua Anchieta encontrei uma reedição do Manifesto Anti-Dantas. Não fora o prólogo assinado por sua sumidade o então presidente da CML, o Dr. Santana Lopes, até o tinha comprado. Mas neste caso, resisti.
PIM!

17/04/2007

Rudyard Kipling


Apesar de o poema If (trad. Se) não fazer parte d'O Livro da Selva, parece mesmo que foi escrito para o Tumai dos Elefantes. Impressiono-me sempre que me olho ao espelho e me vejo com esta idade. Dentro de mim, tenho sempre dez anos e vivo no tempo das histórias que leio.

IF you can keep your head when all about you
Are losing theirs and blaming it on you,
If you can trust yourself when all men doubt you,
But make allowance for their doubting too;
If you can wait and not be tired by waiting,
Or being lied about, don't deal in lies,
Or being hated, don't give way to hating,
And yet don't look too good, nor talk too wise:
If you can dream - and not make dreams your master;
If you can think - and not make thoughts your aim;
If you can meet with Triumph and Disaster
And treat those two impostors just the same;
If you can bear to hear the truth you've spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to, broken,
And stoop and build 'em up with worn-out tools:
If you can make one heap of all your winnings
And risk it on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
And never breathe a word about your loss;
If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: 'Hold on!'
If you can talk with crowds and keep your virtue,
Or walk with Kings - nor lose the common touch,
if neither foes nor loving friends can hurt you,
If all men count with you, but none too much;
f you can fill the unforgiving minute
With sixty seconds' worth of distance run,
Yours is the Earth and everything that's in it,
And - which is more - you'll be a Man, my son!

16/04/2007

Teu


O meu coração é todo teu. E tudo o demais também.