24/12/2012

Boas Festas


1943 - Norman Rockwell, Freedom from Want.

22/12/2012

21.12.2012

Olha, afinal o Mundo não acabou.
Continua tudo na mesma e o OE sempre vai em frente.
Bom, vou comprar os presentes de Natal dos miúdos, então.


27/11/2012

Dos Avós


"Os avós servem de almofada e também de inspiração pelo seu passado. São muitas as frases dos pais de 2012 que começam com a expressão "no tempo dos meus avós". Um tempo também difícil mas em que tudo se arranjava, em que havia sempre espaço para mais um na mesa e os filhos "se criavam".

Acho que li isto no i.
 

21/11/2012

Violência nas escolas

Visto que ninguém no Conselho Directivo se disponibilizou para nos fornecer uma cópia do relatório, fomos pedi-lo à DREL.
Quando o tivermos, vamos apresentar queixa à ISEG e à PSP.
Meteram-se com a família errada, os bullies.


p.s - Ficámos a saber que o novo estatuto do aluno já permite acções correctivas e outros castigos a alunos do ensino básico. Os miúdos levaram três dias de suspensão. A psicóloga do agrupamento tem mais dois casos para seguir. O terceiro é crónico já há cinco anos.

Agora eu fico a pensar:
 Mas como raio é que alunos de oito anos conseguem fazer algo que lhes valha uma suspensão?
Que porcaria de sociedade é esta em que nos tornámos, onde os pais têm de trabalhar demais em vez de chegar a casa a tempo de ajudar os filhos a estudar e a garantir que vão para a cama a horas? Que sociedade é esta onde um miúdo de nove anos repete anos do ensino básico e chama nomes à professora, onde a mãe do menino não quer nem saber do que ele faz e culpa a escola do comportamento dele? Que raio de sociedade é esta onde eu tenho de largar os meus filhos?

18/11/2012

Para o Natal, de presente, eu quero...

Porque os escuteiros vão à missa ao sábado à tarde, nós vamos à missa ao sábado à tarde. Ontem o sermão foi sobre o fim do mundo. Concluiu-se que não precisamos de temer o fim do mundo. Se houver um cataclismo, é pouco provável que consigamos sobrevivê-lo. Para tudo o resto, havemos de nos desenvencilhar. Haja fé em Deus e no Homem, porque quem ganha é a Natureza.

Por causa disso mesmo, temos andado a preparar-nos para a falta de água e electricidade. As notícias sobre o furacão Sandy foram, no mínimo, esclarecedoras. Filas enormes na bomba de gasolina, gente sem água em casa, as prateleiras dos supermercados vazias.

Ontem, o tornado no Algarve pôs-me os pelinhos da nuca em pé - e se fosse aqui? Que faríamos nós para dar de comer aos nossos três filhos? Seríamos capazes de assaltar a mercearia e a farmácia? Teríamos água nas torneiras? Teríamos electricidade? Teríamos comida suficiente? Fraldas suficientes? E como faríamos para puxar o autoclismo sem gastar água?

No caminho de volta para casa, eu pedi de presente de Natal um bidão de 250 litros para armazenar água, e o Biscoito uma faca de mato. Acho que estamos mais preparados do que pensámos.

Agora com licença, que tenho de ir ao supermercado comprar dose dupla de enlatados.


12/11/2012

Remember remember the 5th of november

Esta cantilena revolucionária é perfeita para hoje. Em 1975, em Lisboa, manifestantes cercaram a Assembleia da República por melhores condições salariais. Foi o pico de uma onda de protestos que só terminou com o 25 de novembro. O governo teve de ceder às exigências dos trabalhadores.
Eu também quero um PREC.


31/10/2012

Supercalifragilistiexpialidoso (ela é que sabia melhor)

In ev'ry job that must be done
There is an element of fun
you find the fun and snap!
The job's a game

Nad ev'ry task you undertake
Becomes a piece of cake
A lark!  Aspree!
It's very clear to me

That a...
Spoonful of sugar helps the medicine go down
The medicine go down-wown
The medicine go down
Just a spoonful of sugar helps the medicine go down
In a most delightful way

A robin feathering his nest
Has very little time to rest
While gathering his 
Bits of twine and twig

Though quite intent in his pursuit
He has a merry tune to toot
He knows a song 
Will move the job along 

For a...
Spoonful of sugar helps the medicine go down
The medicine go down-wown
The medicine go down
Just a spoonful of sugar helps the medicine go down
In a most delightful way

09/10/2012

Porque não tenho absoutamente nada mais que fazer...

... vou transformar esta beleza no maior tapete de arraiolos do mundo.

E agora que fui ali num intante remexer a feijoada do jantar, respiro fundo e reviro os olhos como quem diz mas que raio de ideia é esta que vou demorar pelo menos seis anos a terminar isto, vou ali desencantar os cadernos quadriculados para passar isto tudo à mão.

08/10/2012

Viroses e outras neuroses

Terrível. É o que eu digo. Terrível. Que estes fins de semana não se repitam nunca mais. As mães de filhos pequenos não deviam sofrer assim. Os filhos não deviam ver as mães sofrer assim e sobretudo, as tempestades deviam ficar todas lá longe.
Este ano as viroses são medonhas e atacam as progenituras. As crias permanecem, até ver, incólumes. Para piorar o quadro clínico, as neuroses revelam-se profundas e requerem tratamento. Isto está terrível. Terrível.

04/10/2012

Acerca dos sacos de plástico do supermercado

Se podem ser reuti­liza­dos? Sim, podem. Por exem­plo, no caixote do lixo. Mas os seus fab­ri­cantes, tanto dos caixotes, como dos sacos, têm inter­pre­tações geométri­cas difer­entes da real­i­dade, de modo que os segun­dos nunca se encaixam bem nos primeiros, havendo sem­pre um espaço por onde os restos ali­menta­res — nor­mal­mente os mais pega­josos — se infil­tram no inter­stí­cio pleural entre um e outro, com­pro­m­e­tendo a função higiénica do conjunto

in http://blogues.publico.pt/nosnomundo/2012/03/11/compras-noturnas/

Isto é a minha vida perfeitamente demonstrada. Vou fazer greve.
 

13/09/2012

Piolhices

Duas semanas depois e umas grandes olheiras (não estão assim tão grandes), o Novo Biscoito até gosta das educadoras, mas chora que se farta. Fico com o meu coração apertadinho de nervos de o deixar um dia inteiro ao colo de uma senhora que eu não conheço de lado nenhum (mentira, conheço-à oito anos). Era de esperar que fosse cada vez mais fácil, mas a verdade é que é tão mau quanto da primeira vez que vemos o nosso menino agarrar-se a nós e aos nossos cabelos numa gritaria infernal enquanto a tal senhora de bata aos quadradinhos o tenta convencer a ir antes para o colo dela.
Ai que o meu coração pára só de pensar nisso...
 
Mais impressionante ainda é termos tido a primeira infestação de piolhos cá em casa. Como a última vez que eu vira um piolho à frente fora lá para 1986, eu bem que estranhava o miudo andar a coçar a cabeça, mas olhava olhava e não via nada. E como pensámos em tique nervoso, psoríase ou uma reação alérgica a qualquer coisa, marcámos uma consulta para o mais velho, não fosse o miúdo ter um ataque de asma já ali. Piolhos e um riso de troça da médica por uma mãe de três rapazes não perceber logo mal olhasse para o couro cabeludo da cria.
A correr à farmácia comprar o quitoso do costume, mas quitoso não havia, havia este mas era muito caro, por isso obriguei a farmacêutica a tirar tudo da gaveta e escolhi este, que não é mais que o genérico do muito caro. E agora que o mais velho está sem piolhos, a avó ligou-me a perguntar que loção milagrosa comprara eu, que o do meio também estava cheio de comichões. Só de pensar nisso quem fica cheia de comichões sou eu.
 
 

12/09/2012

De volta à rotina

Voltei ao trabalho.
Mas estou num departamento novo a fazer um trabalho diferente, com pessoa diferente e chefes diferentes e por agora tudo é novidade e parece tudo muito bem. Para além do mais, estou de licença de amamentação e é optimo poder ter este tempo para me habituar e habituar o Novo Biscoito também, que se está a dar bastante bem na creche do costume com as educadoras do costume.
A grande chatice é é não poder dormir a sesta.

01/09/2012

Bordados

Coisa que me espantou foi ter aterrado num sítio que me fez sentir em casa. Mais que isso, eu e os Biscoitos mais velhos passeámos pelo centro histórico de Nisa a meter o nariz em todas as portas. Senhoras idosas a rendilhar rosetas a uma velocidade super sónica escondem-se na sombra dos vãos das portas. Imagino os tesouros que se guardam nas gavetas de cada casa por onde passamos.
As cortinas bordadas, alinhavadas ou em renda são um espanto, e ter-me-ía contentado pelo espetáculo bordado que se vê nas ruas, não fossem os dois Biscoitos terem enfiado o nariz na Junta de Freguesia de Nossa Senhora da Graça e uma rapariga risonha me ter indicado o posto de turismo, que era também o antigo museu do Bordado e do Barro, algumas portas rua abaixo. Como não levei máquina fotográfica, todas as fotografias são emprestadas dos sites indicados nas legendas
O posto de turismo , que foi até há pouco tempo o Museu do Bordado e do Barro, funciona numa antiga taberna. Esse, passou para um edifício restaurado, a Cadeia Nova, junto às portas de Montalvão, uma torre na muralha, onde começa a estrada que vai dar, claro, a Montalvão.
lifecooler.com
A antiga taberna é uma casa de dois pisos, igual a todas as outras daquela rua. No piso térreo funcionava a taberna, tinha uma quarto de cama na parte de trás, provalvelmente hospedaria. Os animais entravam pela porta da frente, atravessavam a taberna e chegados ao páteo, guardavam-se no barracão das traseiras. No páteo existe uma escada de alvenaria que vai dar à cozinha, no piso superior. Se subirmos pela escada principal junto à entrada da casa, vemo-nos na sala, com uma janela que dá para a rua, onde nos podemos sentar numa das duas namoradeiras de pedra. Do lado oposto, a lareira enorme é emoldurada por um bonito trabalho de pedra que a funcionar, aqueceria todo o piso. Domina a sala um tear. Junto a ele, uma alfmofada de bilros com os fios e alfinetes sobre um desenho em papel amarelado e muito vincado. Deve ter passado pela mão de várias meninas casadoiras! Amostras de tecido, bordados antigos (caramelos) e, imagine-se, um cestinho com rendas diversas, entre elas, uma meia meia feita ainda com agulhas enfiadas!
 O quarto, à esquerda, mostra mobiliário típico, mas sobretudo muitos bordados. Foi uma surpresa, e fiquei parada na porta a olhar  para a cama, a pensar se alguém teria mesmo tido a coragem de se deitar nela. Fiquei a saber que não, que a cama chamada cama grave, era só para os convidados do casamento verem a quantidade e qualidade de lençóis e cobertores bordados que constituiam o dote da noiva. Os noivos, esses, dormiam no chão do quarto para não desmanchar a cama.  O enxoval da noiva, que a noiva conseguiu fazer, herdou ou pediu emprestado para a noite de núpcias, era depois devolvido e vendido, servindo o dinheiro para começar a construir uma casa. No lavatório, toalhas de linho com franjas e monogramas bordados, e em cima da cadeira, uma camisa de noite com barras de alinhavos e rendas tão intrincadas que espantam.

A divisão à direita é a cozinha, com uma grande lareira rasa e prateleiras embutidas em nichos. Está decorada com panelas e cafeteiras de esmalte, barros e loiças típicas da região. Nas paredes, fotografias de senhoras experimentadas na arte de encher chouriços e decorar potes com as pedrinhas, tão típicas daquele sítio. Ao fundo da cozinha, uma portinhola que abre para umas escadinhas em alvenaria que descem para o pátio.

Até os miudos gostaram e visitámos mais duas vezes nessa semana.

22/08/2012

Tudo o que precisamos


Estas férias estão a ser em grande e com todas as comodidades. Não falta nada e os miúdos divertem-se.

 Casa espaçosa e arejada, muito soalheira e fácil de limpar:

Móbil de berço para estimular a audição e fortalecer a motrocidade superior:

Parque infantil:

 Piscina:
 
Frutaria aberta 24 horas:

Condimentos para culinária:

Ervanária especialisada:

Jardim zoológico sem fronteiras: vacas, bois, ovelhas e cabras, rãs, grilos e muitas formigas, coelhos e pássaros, libelinhas e escaravelhos.
 
 

17/08/2012

Quinta da Fonte da Sutra

Quando eu for grande, vou comprar uma herdade em Nisa e vou plantar linho. Se a colheita for boa, fico rica e dedico-me aos bordados. Quando for velhinha e já não puder cuidar de mim, vou passar a velhice no lar da Misericórdia  e passar as tardes a bordar à porta da Cadeia Nova e vender as rendas aos turistas.

09/08/2012

O pequeno hortelão

Isto são batatas. Se algum dia chegarem ao prato, será um milagre.

O verão é bom e nós gostamos II

O Novo Biscoito aprendeu a fechar as portas. Agora fecha-se nos quartos e na casa de banho e chora porque está tudo escuro. Já se entalou várias vezes, mas o fascínio é bem mais forte.

02/08/2012

O Verão é bom e nós gostamos

O Novo Biscoito a preparar-se para dar um mortal encarpado

20/07/2012

Secretária

Não tenhas medo de decorar a tua casa

Não temer o branco integral.
Pintar toda a casa de branco. Aceitar que o branco é uma coisa boa. Retocar aqui e ali de branco.

Não temer o preto.
Candeeiros de boa qualidade com abat-jours pretos por toda a sala. Móveis pintados de preto. Preto em diversos pormenores de excelente qualidade.

Não temer o dourado.
Molduras douradas em profusão. Cama de latão antiga. Puxadores de latão ou bronze.

Aceitar a madeira.
Tratar e cuidar da madeira envernizada. Chão de tábuas que escurecem com o tempo. Móveis em palhinha nem sempre são foleiros.

16/07/2012

Cinema à luz das estrelas

Fomos todos, os cinco, com mantas e cobertores para o meio da relva e foi adorável vè-los a ver o filme.

29/06/2012

Os Biscoitos sabem melhor no verão

Os meus Biscoitinhos queridos cresceram que se farta na semana de férias na praia. O Novo Biscoito continua a não se aguentar sentado, mas os quilos de areia que comeu devem ter-lhe feito bem porque se põe em pé sempre que pode e agora só com uma mão. O Outro Biscoito chegou à praia ainda com a barriga de bebé toda espetada, quatro dias depois não tinha barriga e a única camisola que levava já mal passava dos cotovelos. Assim, do dia para a noite, os dois Biscoitos mais pequenos cresceram. O Biscoito maior passou a semana toda aos pinotes e a ferida do joelho abria todos os dias, de maneira que um mês depois do raspão no alcatrão, a ferida continua, como uma grande mancha de crosta que só agora começou finalmente a melhorar.

Há mais de seis anos que eu não tinha férias noutra altura que não em agosto. Adorei as praias cheias de espaço para estender as cinco toalhas e o chapéu de sol, muitos meninos de férias com os avós para brincar na areia, deixar os filhos correr sem os perder de vista, lugar sentado na esplanada a qualquer hora do dia para nós todos, o mercado com peixe à hora do almoço, uma maravilha!

( As filas na autoestreada, nos semáforos, no supermercado, na praia, no café e em todo o lado, replicam-se por esse país fora no mês de agosto, de forma que em vez de férias temos é o dobro do trabalho porque ainda por cima temos os filhos o dia todo connosco e as refeições todas para cozinhar e a casa toda para limpar ou os avós a constranger, o calor imenso e o vento, senhores, a quantidade de areia que aquele vento levanta! e as festas das vilas piscatórias onde Lisboa em peso vai passar as férias em agosto com música de qualidade duvidosa em decibéis muito acima do máximo permitido por lei.)

Eu não gosto de férias em agosto, nunca gostei e não me parece que alguma vez vá gostar. A única coisa que eu gosto mesmo nesse mês é, já na última semana a atirar para setembro, da àgua do mar e do vento suão no final da tarde. A hora do gin na praia. Sonha, critaura, que tens três filhos pequenos e ainda tens de trepar pela falésia acima com as tralhas todas para chegar à estrada que te leva a casa onde te esperam banhos e jantar e birras e melgas.

06/06/2012

Final do ano lectivo

Hoje arrastei (literalmente) o Novo Biscoito e a Sutra para a Quinta das Conchas. Queria ir ver o Outro Biscoito na festa de encerramento do ano lectivo. Para quem não sabe, o jardim das Conchas e dos Lilases é um espaço enorme onde já cada um de nós se perdeu de um filho pelo menos uma vez.
Eu estava cheia de remorsos e culpa por ter uma vez chegado atrasada à corrida de pais e filhos do Outro Biscoito num lado e por isso ter perdido a corrida do Biscoito no outro. Já me tinha redimido com o Biscoito e consegui encontrá-lo no festival do dia da criança, entre seiscentos mil meninos iguais a ele - o meu filho é um menino trigueiro e esticado, tem pés e mãos demasiado grandes para o tamanho dele, joelhos esfolados e o sorriso mais luminoso do mundo, tal como 90% dos outros meninos daqui. Desta vez eram duzentas mil crianças, judocas aos urros para bandos de crianças histéricas, instrutores de aeróbica a incentivar crianças obesas a levantar a perna acima da cabeça, um senhor todo bem posto com jornalistas atrás e a Rosa Mota. Presumo que a ex-maratonista fosse na comitiva do vereador para o desporto ou juventude ou o que for que patrocionou o almoço de sandes de pão de forma com batatas fritas de pacote ao meu filho de três anos. A verdade é que no meio daquele mar de crianças não encontrei o meu filho, mas encontrei por acaso a fucionária responsável por distribuir o almoço à turma dele, que me disse que os meninos tinham acabado de saír para irem piquenicar na escola. Em vez de desapontada, dei por mim a sorrir de alívio e a agradecer à senhora e voltei a arrastar a Sutra e o Novo Biscoito para casa, tropeçando em crianças e mochilas, jornalistas e vereadores da CML. Estou esgotada.

25/05/2012

Velharias

Todos sabemos que para preservar a sanidade mental de cada um, é necessário algo que nos dê prazer e que possamos fazer sozinhos em alturas de stress, só para descomprimir, ganhar forças e enfrentar o dia a dia de cara alegre. Como já não fumo e raramente bebo gin tónico (entre gravidezes e amamentações, calculo que o último tenha sido algures no verão de 2004...) e qualquer tempo livre que tenha é utilizado para cozinhar/ir ao supermercado/passear o cão/cortar as unhas/fazer a depilação/arranjar as sobrancelhas etc, coisas que de agradável narcisismo têm muito pouco, gosto muito de ir à cata de velharias. Seja online, feiras ou lojas de toda a espécie, se tiverem um pote ou uma cadeira à vista (no caso das lojas), seja a palavra velharias (online) eu entro. Já atravessei uma aldeia inteira com dois filhos ao colo para ir espreitar dentro da casa com o lavatório de porcelana à porta. Já fiz desvios de trinta quilómetros para visitar um antiquário de que ouvira falar. Já comprei coisas que me pareceram boas na altura e que hoje me fazem pensar onde teria eu a cabeça para gastar dinheiro naquilo. Também já comprei coisas que por um preço irrisório se tornaram bens indispensáveis no dia a dia ou outras que afinal foram como a sorte grande. Pois hoje, esmerei-me. Depois de um ano de calmaria, o furacão aterrou em cheio nos leilões. Por furacão entenda-se dinheiro na conta e boas peças na praça. Comprei finalmente uma secretária estilo ingês e um espelho dourado estilo francês, dois ítems fetiche desde sempre, entre outras peças decorativas. Consegui aguentar-me e não comprar as duas camas D.Maria nem o espelho talha dourada de metro e meio por não ter onde os pôr. E assim estourei boa parte do meu pé-de-meia, de tal forma que estou a escrever isto em jeito de catarse, não vá o coração não aguentar o preço dos martelos mais o iva. As janelas novas podem estar cada vez mais longe, mas caramba, o recheio está cada vez melhor.

23/05/2012

Primeiro banho de sol do ano e da vida

Enchi-me de coragem e em vez de ir passear o cão ao jardim fui passear o filho à praia.
E o miúdo adorou a areia e o sol e a àgua fria e comia areia às mão-cheias e berrava cada vez que me levantava para endireitar as costa e a onda descia e ficava com os pés a patinhar em seco.
Adormeceu que nem um anjninho durante a meia hora possível, mas um tipo musculado e cheio de tatuagens resolveu berrar para os outros dois amigos musculados e cheios de tatuagens mesmo por trás de nós e acabou-se-me o sossego.
Que bom que foi estender-me meia hora ao sol. A minha depressão agradeceu e o bebé dorme (des)cansado.
Agora vou deitar-me no sofá mais confortável do mundo a ver televisão e tentar apagar da memória a cabeça do Jude Law a rachar sob o impacto de um remo.

01/05/2012

1º de Maio

Dia do trabalhador, da Primavera e de Beltane, dia de São José.
Dia do trabalhador porque em 1886, em Chicago, uns quantos operários e sindicalistas resolveram manifestar-se pelo dia de trabalho de oito horas e foram chacinados pelas forças policiais.
Dia de Beltane, celebra o início do tempo de verão, da fecundidade da Terra no norte da Europa, Irlanda e Escócia desde tempos imemoriais. Marca o meio céu entre o equinócio da Primavera e o solstício de Verão.
Dia de São José, marido de Maria mãe de Jesus, o carpinteiro.
Um só dia para tantas festas. Ainda bem que é feriado.

23/04/2012

Em abril águas mil

Este mês de abril deve ter sido o mais atarefado de todos os meses de abril de todos os anos da minha vida. Não só por o Biscoito ter nascido em abril, mas porque, após anos de reclusão social, todos os convites convergiram para um aglomerado espacio-temporal de três fins de semana seguidos.

1 - Alemanha.
Transportar os miudos, as malas e o carrinho de casa para o aeroporto, do aeroporto para o avião, do avião para o aeroporto, do aeroporto para o carro do Opa e finalmente para a casa da neve sem neve. Fugir para Berlim e deixar os miudos e os avós entretidos uns com os outros. Fazer todo o percurso inverso até casa. Reparar na quanridade de espaço que ocupamos no avião e sentir que somos uma grande família.

2- Casamento
Explicar pela quinquagésima vez ao filho que faz sete anos nesse dia que a festa de aniversário foi adiada para a próxima semana por sermos convidados num casamento muito fino. Explicar ao filho mais novo que não pode ir vestido de pato nem brincar com o adereço de Luton (a meca dos chapéus) para o meu cabelo.
Maravilhar-me com o facto de os dois Biscoitos terem guiado a noiva ao altar numa perfeição estonteante e nem sequer refilarem com a gola de renda e os sapatos de seda. Trocar olhares sedutores com o homem mais sexy da festa (o meu marido) e aceitar todos os copos de espumante que me oferece só para tentar esquecer o facto de já não saber andar de saltos muito altos~e ter as maminhas cheias de leite por baixo do vestido de seda caríssimo. Lembrarmo-nos que Novo Biscoito precisa de mamar e que temos de deixar a festa.

3 - Prima
Arrastarmo-nos ao lanche de aniversário da prima e descobrir que já não há comida para ninguém.

4 - Aniversário
Organizar uma festa para um menino que gosta de dinossauros. Preparar o bolo arco-íris, o lanche para os meninos e o jantar para os avós. Apreciar a ajuda do marido, passar a manhã a fazer tudo o que é preciso e maravilhar-me com a minha própria eficiência quando não tenho bebés a meu cargo. Tropeçar em montes de miúdos divertidos, mascarados e cheios de legos e carrinhos em todas as divisões da casa e achar o máximo. Adormecer a saber que foi tudo como o Biscoito queria e que para o ano há mais.

5 - Final feliz
Começar a semana com dores de barriga, boca pastosa e enjôos: overdose de açúcar cacau, ovos e manteiga. Dieta forçada.

04/04/2012

Ich bin ein berliner (eu sou uma bola de Berlim)

(foto)

Voltar a Berlim, desta vez com o melhor companheiro de viagem do mundo.

16/03/2012

Nuvem cinzenta

É como se fosse uma nuvem perpetuamente pairando sobre a minha cabeça, envolvendo-me o cérebro de um frio de gelar ossos. Uma nuvem cinzenta que vai escurecendo a partir das agressões que a pele deixa que entrem pelos poros. Uma indelicadeza aqui, um insulto ali, uma cara menos sorridente. Meses de sono em atraso, o meu corpo disforme, a ansiedade do regresso ao trabalho, as dores de cabeça e a loucura das sete da tarde elevada a três. Os banhos, os jantares, as birras, os cocós e os ranhos, os trabalhos de casa e o telefone que toca quando eu não posso atender, o cão a ladrar sempre que ouve o elevador a funcionar, a minha cabeça a explodir. Eu choro com a faca da cozinha na mão, tento controlar dois selvagens com gritos e ameaças, tento ignorar o choro do bebé que se entranha no cérebro e ressoa como uma trovoada. A nuvem cinzenta carregada, os ventos ciclónicos a extravasar da caixa craniana. E assim nasce a tempestade.

O arco-íris no fim do temporal promete sempre um amanhã melhor.

27/01/2012

A meio gás

O Novo Biscoito ao colo meio adormecido. As persianas meio abertas. Eu meio arranjada (tomei duche, escovei os dentes e vesti o pijama). A cozinha meia arrumada e meia carga de roupa passada e dobrada em cima da mesa. as camas feitas à papo-seco. Mais uma hora e é meio-dia e decidi passar a tarde a passear. A outra metade da casa que se arrume sozinha.

08/01/2012

Festas felizes

O Natal terminou oficialmente cá em casa.
Para celebrar o fim da engorda, fui comer uma fatia dupla de bolo brigadeiro.
Estou um bocadinho enjoada...

04/01/2012

Ano Novo e estamos todos doentes a tentar não cuspir os pulmões a toda a hora.

Ontem falhámos espetacularmente a consulta dos dois meses do Novo Biscoito. Começamos bem, portanto. Estes stresses de tentar saír de casa para chegar a horas a algum lado com crianças e bebés de colo é sempre muito pouco simples e origina alguns transtornos emocionais - da minha parte - o que dá aso a alguns momentos de meditação profunda, findo os quais chego sempre à conclusão que não sou a super-mulher e que não controlo o Universo, logo, o melhor é começar a SIMPLIFICAR.

Primeira resolução do ano: gastar um dinheirão numa consulta domiciliária para o Biscoito. O dinheiro serve para ser gasto em coisas úteis, dá muito trabalho levar os miudos todos à urgência do centro de saúde e a minha sanidade mental é preciosa;

Segunda resolução do ano: simplificar as nossas vidas, declinar e aproveitar aquilo que temos. Aqui se inclui também uma razia total às roupas e brinquedos e outras complicações que trazemos sempre para a nossa vidas. Partir a loiça que estava em cima da mesa é sempre um bom incentivo;

Terceira resolução do ano: doar a Sutra a alguma alma caridosa com quintal;
 
Quarta resolução do ano: tentar sacar o máximo possível em abonos, subsídios retroativos e outros incentivos à maternidade. (quatro horas, meu Deus, QUATRO HORAS de espera com o Biscoito e o Novo Biscoito na sala de espera da Segurança Social para o atendimento prioritário!) 
 
A ver no que isto dá. Estou confiante que o mundo pode acabar que eu hei-de ter a minha vida em ordem.